As deficiências no sistema de transporte são vistas como o principal problema de infraestrutura do Brasil por 75% dos empresários industriais. O resultado integra uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quinta-feira (5/11), com a participação de representantes de 2,5 mil empresas industriais de médio e grande porte das cinco regiões do país.
O levantamento faz parte da publicação inédita Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira. De acordo com a CNI, a precariedade da infraestrutura nacional tem impacto direto sobre as empresas, especialmente por meio do aumento dos custos de produção e da perda de competitividade da indústria.
A percepção sobre a logística reforça esse diagnóstico. Na pesquisa, 91% dos entrevistados disseram que os custos logísticos subiram nos últimos dez anos. Para 70% dos empresários ouvidos, esse aumento ocorreu em intensidade suficiente para reduzir a competitividade das empresas industriais.
Rodovias concentram o transporte de produtos industriais
O estudo aponta que a forte dependência das rodovias é um dos elementos associados às dificuldades enfrentadas pelo setor. Entre as empresas participantes, 98% utilizam o transporte rodoviário para movimentar seus produtos. Em 23% desse grupo, as cargas percorrem distâncias superiores a 1,6 mil quilômetros.
Apesar da predominância dos caminhões, parte dos empresários demonstra interesse em utilizar outros meios de transporte. Segundo o levantamento, 45% daqueles que recorrem ao modal rodoviário afirmaram que poderiam transferir uma parcela das cargas para alternativas diferentes, desde que houvesse infraestrutura adequada para essa mudança.
As ferrovias aparecem como a principal opção entre os empresários dispostos a diversificar o transporte. O modal foi citado por 63% dos entrevistados desse grupo. O transporte aéreo ficou em segundo lugar, com 21% das menções, enquanto o aquaviário foi apontado por 12%.
A possibilidade de reduzir despesas é o fator mais associado à eventual mudança de modal. Essa razão foi mencionada por 82% dos empresários. A redução da quantidade de acidentes nas rodovias apareceu em seguida, com 43% das respostas, e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa foi citada por 33%.
Setor ferroviário tem a avaliação mais baixa
Entre os segmentos de infraestrutura avaliados, as ferrovias registraram o pior desempenho na percepção dos empresários. Apenas 21% classificaram como boas ou ótimas as condições do setor ferroviário.
A avaliação é significativamente inferior à registrada por outros serviços. Os aeroportos receberam avaliação positiva de 64% dos participantes. As telecomunicações foram consideradas boas ou ótimas por 62%, e o fornecimento de energia elétrica alcançou 60% de avaliações positivas.
A situação da malha ferroviária também é destacada na publicação da CNI. Do total aproximado de 30 mil quilômetros existentes no país, 12 mil não têm qualquer operação. Conforme o estudo, esses trechos estão abandonados ou completamente ociosos.
A pesquisa foi realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados e ouviu empresas distribuídas pelas 27 unidades da Federação. Participaram representantes de companhias industriais de médio e grande porte. O levantamento tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.








