A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nesta quarta-feira (4) que a comunidade paga criada para financiar sua permanência na Itália foi encerrada pela plataforma responsável. Segundo a ex-parlamentar, os assinantes receberam de volta, de forma integral, os valores pagos. Com a suspensão do serviço, Zambelli informou que pretende iniciar uma nova campanha de doações por meio de uma ferramenta que possibilita contribuições sem a identificação pública dos apoiadores.
O comunicado foi feito em um vídeo publicado na internet. Zambelli afirmou que foi surpreendida pelo cancelamento e disse ainda não ter recebido explicações sobre o motivo que levou à interrupção da comunidade. O serviço havia sido lançado com uma cobrança mensal de R$ 50 e oferecia aos participantes acesso a conteúdos exclusivos produzidos pela ex-deputada.
A programação prevista incluía relatos sobre o período em que Zambelli permaneceu presa na Europa, além de histórias de bastidores relacionados à política. Também estavam previstas transmissões ao vivo com convidados. A iniciativa tinha como objetivo estabelecer uma receita recorrente para ajudar a custear as despesas de vida da ex-parlamentar enquanto ela permanece na Itália.
Com o fim da plataforma original, Zambelli disse que buscará outra alternativa para receber apoio financeiro. A nova opção será uma plataforma de vaquinhas, segundo ela. Entre as características consideradas pela ex-deputada está a possibilidade de que os doadores façam pagamentos sem que seus nomes sejam divulgados publicamente.
Zambelli relacionou a necessidade de arrecadar recursos às dificuldades que afirma enfrentar para exercer uma atividade remunerada na Itália. De acordo com o relato, ela não consegue abrir uma conta bancária no país, apesar de possuir cidadania italiana. Sem a conta, a ex-deputada sustenta que encontra obstáculos para trabalhar e movimentar recursos em território italiano.
A ex-parlamentar atribui o impedimento à inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal, conhecida como Interpol. Ela também citou o congelamento de seus bens, medida determinada pela Justiça brasileira, como outro fator que dificulta sua situação financeira.
Ao comentar o pedido de ajuda, Zambelli afirmou que não considera constrangedor recorrer a doações. Ela também declarou que não tem receio de trabalhar e mencionou já ter exercido diferentes atividades profissionais. “Eu não tenho vergonha nem de trabalhar e nem de pedir ajuda. Eu não tenho medo de trabalho, muito pelo contrário, já trabalhei em várias coisas, inclusive limpando banheiro”, disse.
Condenação pelo STF e situação judicial na Itália
Zambelli deixou o Brasil em maio de 2025, depois de ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão. A decisão está relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à inserção de documentos falsos. Após chegar à Itália, a ex-deputada permaneceu presa por quase 10 meses.
Em março deste ano, a Justiça italiana rejeitou o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro no processo relacionado ao caso do CNJ. A decisão permitiu que Zambelli aguardasse em liberdade os próximos desdobramentos do procedimento.
A ex-parlamentar, no entanto, é alvo de um segundo pedido de extradição encaminhado pelas autoridades brasileiras. Esse novo processo está ligado à condenação por porte ilegal de arma de fogo. O episódio ocorreu em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.









