O desempenho do PL nas eleições de 2026 não foi suficiente, até agora, para garantir ao partido protagonismo na escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) consolidou o apoio de 15 legendas e aparece como favorito à reeleição. No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) articula uma base ampla para enfraquecer as candidaturas de oposição antes da votação marcada para 1º de fevereiro de 2027.
A situação evidencia uma diferença entre o tamanho das bancadas eleitas e a capacidade de organizar uma maioria para comandar o Congresso. Na Câmara, o PL terá 121 deputados, a maior bancada da Casa, mas não reúne sozinho os 257 votos necessários para eleger o presidente em primeiro turno. A votação será secreta e envolverá os 513 parlamentares.
Motta, por sua vez, declara contar com 15 partidos, que elegeram, somados, 361 deputados. Mesmo sem garantia de que todos os integrantes dessas bancadas votarão de forma uniforme, o apoio formal dos líderes partidários coloca o atual presidente da Câmara em posição considerada favorável para buscar a recondução.
Entre os partidos que passaram a apoiar Motta estão legendas do Centrão que, no segundo turno da eleição presidencial, estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro. O movimento ocorre apesar de o presidente da Câmara ter apoiado a campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Republicanos, partido de Motta, declarou apoio a Flávio no segundo turno.
A atuação de Motta também incluiu a condução de propostas defendidas pelo governo Lula. Entre as medidas aprovadas sob sua presidência estão o fim da escala de trabalho 6×1 e a elevação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais, os MEIs. Assim, o deputado conseguiu reunir partidos com posições distintas na eleição presidencial em torno da disputa pelo comando da Câmara.
Segundo levantamento publicado pelo Metrópoles, as siglas que apoiaram Flávio no segundo turno elegeram 286 deputados. Já os partidos que ficaram ao lado de Lula conquistaram 124 cadeiras. A vantagem numérica do campo ligado ao PL, contudo, não se transformou em uma aliança organizada para assumir a presidência da Casa depois da vitória de Lula sobre o candidato do partido.
O PL ainda não decidiu se apoiará oficialmente Motta ou se deixará seus deputados livres para negociar individualmente uma aproximação com o presidente da Câmara. A segunda possibilidade é defendida diante da resistência de parte da bancada ao apoio de Motta a Lula. Deputados bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG), têm manifestado publicamente essa insatisfação.
Após uma reunião de mais de duas horas na sede do PL, na terça-feira (3/11), o líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que a decisão ficaria para quarta-feira (11/11). Ele afirmou que os deputados eleitos para a próxima legislatura também precisam ser ouvidos. O novo grupo terá 32 parlamentares a mais.
A preocupação de uma ala do PL é que a falta de acordo deixe o partido fora das principais negociações da próxima legislatura. O receio não está relacionado às emendas individuais, cuja execução é obrigatória, mas às emendas de comissão e à possibilidade de redução do poder de negociação sobre a distribuição de recursos.
O assunto tem peso político para Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Em 2025, ele chegou a reivindicar para o partido o comando da Comissão de Saúde, considerada um dos colegiados relevantes na distribuição de emendas parlamentares. Se a legenda aderir ao grupo de Motta, a coalizão poderá alcançar 16 partidos e reunir potencialmente 482 deputados, desde que os apoios já anunciados sejam mantidos.
PL lança Rogério Marinho para a presidência do Senado
No Senado, o PL decidiu apresentar candidatura própria. A legenda oficializou, na quarta-feira (4/11), o nome de Rogério Marinho (PL-RN) para enfrentar Alcolumbre na eleição de 1º de fevereiro. Marinho foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e terá o desafio de formar uma maioria em uma Casa na qual são necessários pelo menos 41 dos 81 votos.
O PL contará com 29 senadores e recebeu também o apoio do Novo, que elegeu três parlamentares. A estratégia é buscar adesões entre senadores de direita, integrantes do Centrão e representantes de partidos que negociam com Alcolumbre, mas demonstram resistência à sua recondução.
A oposição, porém, enfrenta a presença de uma segunda candidatura do mesmo campo político. Tereza Cristina (PP-MS) também pretende disputar o comando do Senado. Marinho e Tereza afirmam ter um entendimento para evitar um confronto entre os dois, mas a decisão sobre uma eventual união deverá ser tomada apenas mais perto de fevereiro.
Enquanto as duas candidaturas permanecerem separadas, Alcolumbre tende a ser beneficiado. O presidente do Senado trabalha para manter o apoio da base ligada ao governo Lula e, simultaneamente, atrair votos de parlamentares de direita. A estratégia busca reduzir a capacidade de articulação da oposição e ampliar a margem de segurança para sua recondução.
Como parte desse movimento, Alcolumbre deve referendar a indicação de Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027. Embora pertença à oposição, Gomes mantém proximidade política com o presidente do Senado.
Em declaração ao portal, Gomes afirmou que sua escolha seguiu o procedimento habitual da Comissão Mista de Orçamento (CMO), com base nas indicações dos líderes partidários. Segundo o senador, Alcolumbre apenas referenda e publica os nomes definidos no processo da comissão, procedimento que também é aplicado aos demais relatores.








