A adoção em larga escala de seis medidas relacionadas à saúde pública e ao combate às mudanças climáticas poderia evitar quase 1,6 milhão de mortes por ano, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). As mesmas iniciativas também teriam capacidade de reduzir as emissões anuais em 16,67 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, considerando o equivalente em dióxido de carbono, unidade utilizada para comparar o impacto de diferentes gases sobre o aquecimento do planeta.
O relatório da organização reúne ações voltadas à prevenção de riscos ambientais que afetam diretamente a saúde da população. Entre as medidas analisadas estão a criação de sistemas de alerta para ondas de calor, a expansão do acesso à água potável, o aprimoramento do saneamento e das condições de higiene das mãos, a substituição de fontes domésticas de energia por alternativas menos poluentes e a revisão das políticas de impostos e subsídios relacionados aos combustíveis fósseis.
A projeção de mortes evitadas corresponde a uma média anual calculada para os períodos considerados no estudo. As estimativas se estendem até 2075 e dependem da adoção e da ampliação das medidas pelos países incluídos nos cenários avaliados pela OMS. Portanto, os números representam um potencial associado à implementação das políticas, e não um resultado já alcançado.
Revisão de políticas para combustíveis fósseis teria maior efeito
Entre as seis iniciativas, a mudança nas políticas de preços, impostos e subsídios aplicados aos combustíveis fósseis concentra o maior impacto estimado. De acordo com a OMS, essa medida poderia evitar aproximadamente 1,2 milhão de mortes por ano.
O resultado estaria principalmente relacionado à diminuição da poluição atmosférica e dos acidentes de trânsito. Com menor exposição aos poluentes presentes no ar, haveria redução dos riscos associados a acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardiovasculares, câncer de pulmão e problemas respiratórios.
As outras cinco medidas, somadas, poderiam impedir cerca de 360 mil mortes anuais. Os efeitos previstos incluem maior proteção contra episódios de calor extremo, prevenção de infecções por meio de melhores condições de água, saneamento e higiene, além da redução da fumaça liberada dentro das residências durante o preparo de alimentos.
O relatório relaciona esses benefícios a problemas que aproximam as agendas ambiental e sanitária. O aumento das temperaturas, a contaminação da água e a poluição do ar são apontados como fatores que elevam os riscos à saúde. Para a OMS, enfrentar essas ameaças pode reduzir o número de mortes, diminuir a necessidade de atendimento médico e melhorar as condições de vida.
Análise inclui países de diferentes regiões e níveis de renda
O estudo considera nações de várias partes do mundo e com diferentes níveis de desenvolvimento econômico. A lista inclui Brasil, Argentina, Colômbia, México, Estados Unidos, Canadá, China, Índia, Japão, Alemanha, França, Portugal, Reino Unido, África do Sul e Austrália.
A organização ressalva, contudo, que todos os países não participaram necessariamente da avaliação de todas as seis medidas. A aplicação das políticas exige a atuação de governos, serviços públicos e estruturas de infraestrutura, além da ampliação do acesso a serviços essenciais.
Entre as necessidades destacadas estão o fornecimento de água segura, o saneamento adequado, condições de higiene e o uso de fontes de energia menos poluentes nas residências. Esses fatores estão diretamente associados à exposição da população a riscos ambientais e às consequências sobre a saúde.
Retorno econômico pode superar custos de implementação
O relatório também calcula os custos e os possíveis ganhos financeiros de cinco das seis medidas. Para esse conjunto de ações, o investimento anual estimado equivale a R$ 194,45 bilhões. Depois de descontadas essas despesas, o benefício líquido poderia alcançar R$ 4,63 trilhões por ano.
A avaliação econômica considera o valor atribuído às mortes evitadas e outros efeitos positivos, como a redução dos gastos com doenças, o aumento da produtividade e a economia de tempo. A OMS afirma que a combinação entre ganhos sanitários e climáticos também pode ajudar a reduzir desigualdades entre países.
Para a maior parte das iniciativas, os retornos proporcionais ao investimento foram considerados mais elevados em nações de renda baixa e média. Na avaliação da organização, esse resultado reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura e os serviços públicos capazes de proteger a população, reduzir a exposição a riscos ambientais e gerar benefícios simultâneos para a saúde e para o clima.









