Um desabamento parcial em uma edificação da Rua Benjamin Fraga, no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte, levou à retirada preventiva de 32 pessoas, pertencentes a aproximadamente 11 famílias. A Defesa Civil interditou os imóveis e os barracões ligados à construção após identificar risco de novos colapsos. Ninguém ficou ferido.
A queda de parte da estrutura aconteceu por volta da meia-noite desta sexta-feira (6). O imóvel era composto por barracões interligados, onde havia pelo menos cinco casas distribuídas em diferentes pavimentos. Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento posterior ao desabamento, com uma grande quantidade de poeira se espalhando pelo local.
Parte dos materiais que se desprenderam atingiu a calçada e a rua, criando perigo para pedestres e veículos. Durante a inspeção, técnicos da Defesa Civil avaliaram que as condições da edificação poderiam colocar em risco os ocupantes e as construções vizinhas. Por esse motivo, os imóveis diretamente afetados foram interditados e áreas próximas acabaram isoladas preventivamente.
As famílias que precisaram deixar as residências foram encaminhadas ao Abrigo Tia Branca, na Rua Além Paraíba, no bairro Bonfim, região Noroeste da capital. O espaço passou a receber temporariamente os moradores que não poderiam retornar para casa enquanto a segurança da estrutura e do entorno não fosse definida.
O proprietário foi notificado pelo órgão municipal e recebeu a orientação de adotar as medidas necessárias para proteger a edificação e os imóveis vizinhos. De acordo com a Defesa Civil, cabe ao dono providenciar as intervenções exigidas, incluindo uma eventual demolição, caso essa seja a medida considerada adequada.
Vizinhança relatava problemas na construção
Moradores da área disseram que os problemas no imóvel eram antigos e que, ao longo dos anos, já haviam procurado a Defesa Civil e outros órgãos públicos para denunciar a situação. Um vizinho que preferiu não revelar o nome afirmou que as reclamações começaram cerca de 20 anos atrás.
Segundo esse morador, o proprietário teria ampliado a construção com materiais inadequados e restos de obras. Ele também relatou que o imóvel já havia sido embargado e que, em duas ou três ocasiões, partes da estrutura foram retiradas. Mesmo assim, conforme o relato, novas ocupações e ampliações teriam ocorrido.
“No mínimo há 20 anos que a gente tenta, vai à Defesa Civil e procura os órgãos competentes pra poder resolver. Já foi embargado, já retiraram daqui umas duas ou três vezes e, mesmo assim, eles voltam”, afirmou.
O vizinho declarou ainda que a construção teria começado aproximadamente 30 anos atrás, em uma área que, segundo ele, seria destinada à implantação de uma praça. Ele acusou o responsável pelo imóvel de continuar fazendo ampliações sem condições consideradas adequadas de segurança.
Outro problema apontado pelos moradores é o acúmulo de entulho no terreno. Conforme os relatos, os resíduos favoreceriam a presença de ratos, baratas, cobras e escorpiões nas casas próximas à edificação.
Moradores deixaram o local antes do colapso
O serralheiro metalúrgico Marcos Túlio, que morava de aluguel na construção havia mais de quatro meses, contou que começou a ouvir ruídos incomuns e percebeu sinais de que havia algo errado. Ao voltar do trabalho, no fim da tarde, ele decidiu retirar parte dos pertences da residência.
O Corpo de Bombeiros informou que os moradores conseguiram sair do imóvel antes do desabamento. Apesar da queda de parte da edificação e da possibilidade de novos problemas estruturais, nenhuma pessoa ficou ferida.
Depois de perder o local onde vivia, Marcos disse que pretende ficar provisoriamente na casa da mãe, enquanto tenta reorganizar a própria vida. As demais famílias também foram retiradas como medida de prevenção, diante do risco de novos desabamentos na estrutura e nas áreas próximas.
A ocorrência mobilizou, além da Defesa Civil, equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, da Guarda Civil Municipal e da BHTrans. Os bombeiros realizaram a avaliação inicial dos riscos, enquanto as demais instituições contribuíram para o isolamento da área, a segurança do entorno e o controle do trânsito.
Imóveis permanecem interditados
Em nota, a Defesa Civil reforçou que a responsabilidade por uma possível demolição é do proprietário. Ele deverá definir e executar as medidas necessárias para garantir a segurança da edificação e das construções vizinhas.
Se a demolição for determinada, o responsável terá de cumprir a legislação vigente e as normas da Prefeitura de Belo Horizonte. Até que as providências sejam estabelecidas e realizadas, os imóveis atingidos continuarão interditados, e as áreas próximas permanecerão isoladas preventivamente.









