O desabamento parcial de um conjunto de barracões no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte, deixou 37 pessoas desalojadas e levou a Defesa Civil a determinar a retirada de mais famílias do local. O órgão identificou risco iminente de queda da parte da construção que continuava de pé. O imóvel fica na rua Benjamin Fraga, próximo à rua Angelina de Matos, e era alugado por famílias.
O proprietário da construção, Azemir José da Silva, afirmou que havia percebido problemas na estrutura ao longo da semana. Segundo ele, a intenção era realizar reforços emergenciais entre a quinta-feira (5) e a sexta-feira (6), mas o desabamento ocorreu antes que as intervenções fossem feitas.
“Vinha dando problema durante a semana e eu estava observando. Eu sou pedreiro também. Achei que daria para hoje e amanhã dar os reforços, só que infelizmente não deu tempo”, relatou Azemir.
O colapso ocorreu na noite de quinta-feira (5), durante o temporal que atingiu a capital mineira. De acordo com o proprietário, apenas a parte central do conjunto foi atingida. Ele declarou que considerava as demais áreas controladas, mas a avaliação não foi confirmada pela vistoria técnica realizada pela Defesa Civil na manhã seguinte.
Durante a inspeção, os agentes constataram que a estrutura remanescente ainda apresentava risco de desabamento. O órgão alertou que materiais poderiam atingir as ruas Benjamin Fraga e Angelina de Matos e solicitou o isolamento de trechos das duas vias. A interdição deverá ser mantida enquanto houver possibilidade de novas quedas.
Proprietário diz que acompanha construção desde 1993
Azemir informou que o conjunto de barracões existe naquele endereço desde 1993. A propriedade pertence a vários irmãos, mas ele é o responsável por acompanhar a construção e responder pelas condições do imóvel.
Abalado depois do desabamento, o proprietário afirmou que mantém uma relação próxima com os moradores. Ele disse ter consideração pelas famílias que vivem no local e lamentou que o incidente tenha ocorrido antes da execução dos reforços planejados.
Vizinhos relataram que a estrutura já apresentava problemas antigos e mencionaram um desabamento anterior. Questionado sobre o histórico, Azemir confirmou que houve uma ocorrência em 2005. Ele também reconheceu que costuma reaproveitar materiais em obras e reformas, mas contestou a maneira como essa prática foi caracterizada pelos moradores.
“Eu posso usar, eu aproveito certas coisas. Eu sou aproveitador. Mas não é assim como dizem, que senão eu não estaria por aqui há mais de 30 anos”, afirmou.
O responsável acrescentou que ainda havia obras em andamento no imóvel quando ocorreu o desabamento. Depois da vistoria, ele declarou que pretende providenciar os reparos necessários. A Defesa Civil deverá notificá-lo novamente para que sejam adotadas medidas emergenciais de segurança, incluindo a contratação de um engenheiro habilitado. O profissional deverá avaliar a situação e indicar as intervenções necessárias para reduzir os riscos.
Retirada atingiu 37 pessoas de 13 famílias
Logo após o desabamento parcial, 32 pessoas pertencentes a 11 famílias deixaram os barracões. Na sexta-feira (6), a Defesa Civil determinou a saída de outras duas famílias, elevando para 37 o total de pessoas afetadas, distribuídas em 13 famílias.
Segundo Marcos Vinícius Victório, agente de proteção e Defesa Civil, a vistoria realizada na manhã de sexta-feira confirmou a possibilidade de queda da estrutura que permanecia em pé.
Azemir confirmou que os imóveis eram alugados e explicou que permitia flexibilidade nos pagamentos conforme a condição financeira dos moradores. De acordo com ele, as famílias recebiam o Bolsa Família e pagavam os valores que conseguiam. O proprietário afirmou, ainda, que todos os moradores tinham parcelas em atraso.
As famílias retiradas inicialmente foram encaminhadas ao Abrigo Tia Branca, no bairro Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte. Não houve registro de pessoas feridas no desabamento.








