Belo Horizonte receberá, na próxima terça-feira (10), a primeira unidade de um novo modelo de Orelhão criado para funcionar como ponto de apoio a trabalhadores. Apesar da aparência inspirada nos antigos telefones públicos, o equipamento não fará chamadas. A estrutura oferecerá água gelada e micro-ondas gratuitos para pessoas que trabalham nas ruas ou passam longos períodos fora de casa.
A inauguração está marcada para as 10h30, na avenida do Canal, número 299, no bairro Átila de Paiva, na região do Barreiro. O atendimento será aberto a trabalhadores em geral, sem necessidade de cadastro, instalação de aplicativo ou compra de produtos. A proposta é permitir que os usuários reabasteçam suas garrafas com água gelada e aqueçam refeições levadas de casa durante a jornada.
O projeto foi idealizado pelo empresário André Souza, que financiou com recursos próprios o desenvolvimento do equipamento. A iniciativa foi pensada como uma alternativa de suporte para pessoas que exercem atividades nas ruas e precisam de acesso a itens básicos, como água e um local para aquecer a alimentação.
Estrutura passou por 18 meses de desenvolvimento
O novo Orelhão conserva elementos visuais associados aos antigos telefones públicos, mas foi redesenhado para cumprir funções diferentes. A unidade não terá aparelho telefônico e contará com recursos voltados ao uso contínuo por trabalhadores em diferentes pontos.
O desenvolvimento do modelo levou 18 meses. Durante esse período, foram analisados aspectos relacionados à montagem, ao transporte e à manutenção das estruturas. Segundo os responsáveis pelo projeto, o planejamento teve como objetivo criar um equipamento capaz de ser instalado e operado em diversas regiões do país.
Cada unidade tem custo estimado de fabricação de R$ 30 mil. A instalação no Barreiro será a primeira etapa do projeto e colocará o equipamento à disposição de trabalhadores que circulam pela avenida do Canal e por áreas próximas ao endereço escolhido.
Publicidade deve financiar operação dos equipamentos
O funcionamento dos Orelhões será mantido integralmente com recursos da iniciativa privada. O modelo prevê a venda de espaços publicitários e a busca por patrocinadores para custear despesas relacionadas à operação das unidades.
Entre as empresas consideradas potenciais patrocinadoras estão Uber, 99 e iFood, além de instituições financeiras e marcas de outros setores. Os anúncios poderão aparecer na própria estrutura dos equipamentos ou ser veiculados por meio de mensagens sonoras.
A projeção dos idealizadores é que cada Orelhão gere receita média de R$ 20 mil mensais com publicidade. Já os gastos recorrentes com água, energia elétrica, limpeza e manutenção são estimados em aproximadamente R$ 2 mil por mês. Os valores, no entanto, são previsões e dependem da contratação efetiva de anunciantes.
Plano prevê 5 mil unidades em até três anos
A expansão nacional é uma das metas do projeto. A previsão é instalar 2 mil Orelhões em diferentes regiões do Brasil nos próximos 12 meses. Em até três anos, a expectativa anunciada é alcançar 5 mil unidades.
Na primeira fase, os equipamentos devem ser levados a locais considerados estratégicos para concentrar trabalhadores. Entre os pontos previstos estão postos de combustíveis com funcionamento 24 horas, cozinhas voltadas ao serviço de delivery e estacionamentos de atacarejos. A escolha desses espaços está relacionada à presença de pessoas que precisam de água e de uma estrutura para aquecer refeições durante o expediente.
O projeto também considera a instalação em espaços públicos. Para que isso ocorra, será necessário obter previamente as autorizações exigidas para a ocupação e o funcionamento dos equipamentos nesses locais.








