O senador Rogério Marinho (PL-RN) pediu o fim dos ataques de apoiadores da direita contra a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também pretende disputar a presidência do Senado. Os dois parlamentares mantêm um acordo para que o campo conservador apresente apenas um candidato na eleição marcada para 1º de fevereiro de 2027. A definição deverá considerar qual dos dois terá melhores condições de reunir votos e apoios entre os senadores.
A manifestação ocorre em um momento de intensificação das articulações para a sucessão no comando da Casa. Na avaliação de Marinho, críticas públicas, provocações e tentativas de constranger Tereza Cristina podem comprometer o diálogo entre os grupos políticos e dificultar a construção de um entendimento dentro da oposição.
“É natural que o eleitor cobre posicionamentos dos parlamentares, mas transformar isso em ataques ou constrangimentos não ajuda na construção de um entendimento”, afirmou o senador.
Marinho relatou que mantém conversas frequentes com Tereza Cristina e disse que os dois continuam comprometidos com a estratégia de permanecer unidos ao longo do processo. Pelo acordo, nenhum dos dois deverá necessariamente abandonar a disputa de imediato. A decisão será tomada conforme a capacidade de cada candidatura de conquistar adesões e alcançar o maior número possível de votos no Senado.
O senador do PL também destacou a trajetória política da colega. Entre os pontos citados por ele estão a atuação de Tereza Cristina como ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro e sua participação na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Para Marinho, esses elementos conferem legitimidade à senadora para concorrer ao cargo.
O parlamentar afirmou ainda que apoiará Tereza Cristina caso ela consiga demonstrar que possui mais força eleitoral do que ele para vencer a disputa. A declaração reforça o compromisso de evitar que os dois nomes permaneçam concorrendo simultaneamente até a votação, cenário que poderia dividir os votos do mesmo campo político.
Estratégia busca evitar divisão de votos
A formação de uma candidatura única é tratada por Rogério Marinho como a principal forma de impedir a fragmentação da direita na eleição. O objetivo é concentrar os apoios em um só nome para enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a recondução ao comando da Casa.
Na avaliação do senador, a presença de mais de um candidato ligado ao mesmo campo ideológico poderia dispersar os votos e favorecer Alcolumbre. Por isso, ele defende que as articulações avancem até que seja possível identificar qual dos dois postulantes reúne maior capacidade de obter apoio entre os integrantes do Senado.
Marinho afirmou que sua oposição não é motivada por uma questão pessoal contra Alcolumbre. Segundo ele, a crítica se dirige ao modelo político que associa ao atual presidente da Casa. O senador mencionou práticas que classificou como clientelismo, cooptação e corporativismo e disse defender mudanças na maneira como o Senado é conduzido.
Disputa permanece aberta
Na última quarta-feira, o PL oficializou Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado. Na mesma data, Tereza Cristina reafirmou que continuaria na disputa, embora faça parte da federação União Progressista, que declarou apoio à recondução de Davi Alcolumbre.
Aliados da senadora avaliam que ela tem condições de atrair parlamentares do Centrão e ocupar uma posição intermediária entre o candidato apoiado pelo governo e o nome lançado pelo PL. Essa possibilidade mantém o cenário em aberto e é apontada como um dos motivos para a continuidade do acordo entre Marinho e Tereza Cristina.
A avaliação dentro do grupo é que ainda existe tempo para construir um consenso antes da votação. Marinho considera prioritário evitar uma disputa pulverizada entre candidatos do mesmo campo político, pois a divisão de apoios poderia aumentar as chances de vitória de Alcolumbre.
De acordo com o próprio Rogério Marinho, sua candidatura reúne atualmente cerca de 40 votos. O número está a um apoio do mínimo necessário para garantir a vitória em primeiro turno. A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027.








