O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) apresentou, nesta sexta-feira (6), um requerimento à Ouvidoria do Legislativo para pedir esclarecimentos sobre menções à Casa em mensagens trocadas entre Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O documento foi direcionado ao atual presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), e contém 144 perguntas. Os questionamentos tratam das conversas atribuídas a Aro e também das referências feitas pelo ex-secretário a 15 vereadores de Belo Horizonte.
Entre os temas abordados no requerimento estão a eleição para a Presidência da Câmara, possíveis decisões institucionais, o balanço de ônibus, obras, projetos e o uso de recursos públicos. Gabriel Azevedo busca esclarecer se as mensagens indicam a existência de compromissos ou articulações envolvendo o Legislativo municipal.
As conversas vieram a público no contexto da investigação da Polícia Federal sobre o esquema relacionado ao Banco Master. O conteúdo foi obtido pela Itatiaia e inclui uma mensagem enviada por Marcelo Aro a Daniel Vorcaro em 2 de janeiro de 2025, depois das eleições para a Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Na mensagem, Aro comemora a eleição de sua mãe, a professora Marli (PP), para uma cadeira de vereadora e também celebra a escolha de Juliano Lopes para comandar a Câmara. O ex-secretário agradece o apoio recebido e afirma que continuaria disponível para atuar em parceria com o banqueiro.
O texto enviado a Vorcaro menciona o apoio dado ao grupo político de Aro e à eleição. Em um dos trechos, o ex-secretário declara: “Não teria conseguido sem o seu apoio, pelo que faço questão de, mais uma vez, agradecer. Renovo de forma empenhada o meu compromisso, para tudo aquilo que estiver ao meu alcance. Conte comigo, com nosso grupo político e com a Câmara Municipal. Quando puder, vamos marcar de colocar a prosa em dia”.
Em nota encaminhada à reportagem, Marcelo Aro explicou que a mensagem estava relacionada a um jantar promovido por ele em Belo Horizonte, em 2024. Segundo o ex-secretário, durante o encontro, ele solicitou aos participantes apoio para o grupo de vereadores ligado a ele.
Aro afirmou que todos os presentes se comprometeram a colaborar de alguma forma. De acordo com a versão apresentada, alguns ofereceram apoio político-eleitoral, enquanto outros se dispuseram a contribuir com estratégias, mobilização de empresários ou lideranças e, em determinadas situações, apoio financeiro.
O ex-secretário também declarou que, após a eleição, enviou uma mensagem com o mesmo texto-padrão a todas as pessoas que participaram do jantar. A explicação foi apresentada para contextualizar o conteúdo encaminhado a Vorcaro e a menção ao apoio obtido durante o processo eleitoral municipal.
No requerimento, Gabriel Azevedo questiona se Marcelo Aro tinha autorização para falar em nome da Câmara Municipal de Belo Horizonte. O ex-presidente também quer saber se Juliano Lopes, na condição de presidente da Casa, tinha conhecimento da declaração e se algum compromisso institucional foi assumido nas conversas ou em razão do apoio citado.
Caso tenha sido firmado algum entendimento, Azevedo solicita informações sobre o conteúdo da eventual negociação, as pessoas responsáveis por ela e os atos que teriam sido praticados posteriormente. O documento ainda pede esclarecimentos sobre as referências a decisões da Câmara, obras, projetos, recursos públicos e ao balanço de ônibus.
Juliano Lopes informou que encaminhou o requerimento para avaliação da Procuradoria da Câmara Municipal. O presidente, contudo, afirmou que não comentaria os pedidos apresentados por Gabriel Azevedo.







