O quadro Mulher com Filho Morto, de Candido Portinari, ganhou destaque na série Dom de Iludir, da Netflix, como parte da coleção de arte da personagem Lúcia Rossetti, interpretada por Marieta Severo. A obra exibida na produção é uma reprodução feita especialmente para as gravações. O original, criado em 1955, pertence à mesma família desde 1958, segundo informações do Projeto Portinari. A identidade dos proprietários não foi divulgada.
Na trama, a pintura ocupa um lugar importante no acervo da milionária e adquire significado pessoal para Lúcia, elemento que é apresentado ao público ao longo dos episódios. Além do valor afetivo atribuído à personagem, o quadro é descrito como uma das obras mais caras de sua coleção. Por isso, a peça não aparece apenas como parte da decoração dos ambientes: sua presença contribui para a construção da história e para o desenvolvimento dos conflitos envolvendo a personagem.
A confirmação sobre a origem da obra foi dada pelo Projeto Portinari ao Metrópoles. De acordo com a instituição, Mulher com Filho Morto é uma das maquetes produzidas por Candido Portinari para o painel Guerra, instalado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
A informação permite distinguir o trabalho original da versão utilizada pela equipe da Netflix. A produção não teve acesso à pintura pertencente à família e também não revelou quem são seus donos. Para compor a coleção de Lúcia Rossetti, os responsáveis pela série reproduziram quatro obras de Portinari, entre elas a pintura associada ao painel da ONU.
Equipe recriou obras para compor coleção da personagem
As peças vistas em cena foram produzidas por profissionais contratados para reproduzir os trabalhos artísticos. Parte delas foi refeita manualmente, enquanto outras utilizou a técnica de impressão Giclée. O método é empregado para reproduzir imagens com elevado nível de fidelidade, especialmente em aspectos como cores e detalhes.
O uso dessas reproduções permitiu que as obras fossem incorporadas aos cenários da série sem que os originais fossem deslocados ou colocados à disposição da produção. O trabalho também contou com a autorização dos herdeiros dos artistas. Dessa forma, a coleção apresentada na ficção foi adaptada às necessidades visuais e narrativas de Dom de Iludir, preservando a referência às obras de Portinari.
Na história, o acervo de Lúcia desperta a atenção de golpistas e passa a integrar diretamente a trama. As pinturas ajudam a estabelecer a condição financeira da personagem e a relevância de sua coleção, além de participarem das situações que envolvem a milionária. Entre os trabalhos exibidos, Mulher com Filho Morto recebe atenção especial por reunir importância econômica e valor emocional para Lúcia.
Projeto Portinari reúne informações sobre a obra
O Projeto Portinari foi criado em 1979 por João Candido Portinari, filho do artista. A instituição atua no resgate, na documentação e na divulgação da vida e da produção de Candido Portinari, além de trabalhar para ampliar o acesso às informações sobre o legado do pintor.
Foi a partir desse trabalho de catalogação que se tornou possível relacionar Mulher com Filho Morto ao painel Guerra e registrar que a obra original está sob posse da mesma família desde 1958. Na série, entretanto, o público vê uma versão reproduzida para a produção, com autorização dos herdeiros e integrada ao cenário que representa a coleção particular de Lúcia Rossetti.








