A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante dos bens do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, que morreu em janeiro de 2026. A decisão da juíza Vanessa Vaitekunas Zapater ocorre em meio a um conflito familiar pelo patrimônio avaliado em 5 milhões de reais. Silvia Gonzalez Magnani, que é prima de Miguel e afirma ter sido sua companheira, também tentava assumir o controle da herança. No entanto, a magistrada aplicou a regra do Código Civil que define que sobrinhos têm preferência sobre primos na ordem de recebimento de bens. Como o irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, renunciou à sua parte e ela foi a única sobrinha a se apresentar no processo, a Justiça entendeu que ela é a pessoa apta para a função. A juíza afirmou que o passado criminal de Suzane não interfere no direito de gerenciar o inventário.
Suzane cumpre pena de 39 anos em regime aberto pelo assassinato dos pais em 2002. Naquela época, ela foi impedida pela Justiça de receber a herança dos pais após uma ação movida pelo próprio tio Miguel. Agora, os bens do tio podem passar para ela porque ele não tinha filhos, pais vivos ou irmãos, além de não ter deixado um testamento. Mesmo como inventariante, Suzane não pode vender ou usar o patrimônio para fins pessoais sem autorização judicial, ficando responsável apenas pela conservação dos bens. O processo de inventário ficará pausado até que a Justiça decida se Silvia realmente vivia em união estável com o médico.
Recentemente, Silvia registrou um boletim de ocorrência acusando Suzane de furtar móveis, documentos e dinheiro da casa de Miguel logo após o falecimento dele. A polícia investiga a retirada de uma máquina de lavar, um sofá, uma cadeira e uma bolsa com valores. As advogadas de Silvia declararam surpresa com a decisão judicial, pois o prazo para apresentar provas da união estável ainda não havia terminado. Elas afirmaram que vão recorrer da nomeação e ressaltaram que o cargo de inventariante não apaga a retirada de objetos feita sem permissão. Miguel foi encontrado morto no dia 9 de janeiro, em sua casa no bairro Campo Belo, em São Paulo, e a causa da morte ainda é investigada pela Polícia Civil como suspeita.







