O show do humorista Tiago Santineli, de 33 anos, terminou em conflito com um grupo cristão na noite de sábado, 21 de março de 2026, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte. O artista e outras duas pessoas foram conduzidos à delegacia da Polícia Civil e o boletim de ocorrência foi registrado pelos crimes de injúria racial e vias de fato. Segundo a Polícia Militar, a confusão começou por volta das 20h, quando o humorista chegava ao teatro e encontrou um grupo fazendo uma vigília em protesto no local. Os manifestantes proferiram ofensas chamando o artista de satanista e tentaram colocar um crucifixo nele. O registro policial indica que o grupo também afirmou que apresentações de umbanda não seriam aceitas e que demônios não entrariam na capital.
Em resposta, o humorista reagiu e realizou uma simulação de exorcismo em um dos manifestantes que estava ajoelhado, colocando a mão em sua cabeça e dizendo frases sobre a atuação do diabo enquanto outros presentes rezavam. Após esse momento, o artista entrou para realizar a primeira parte do show, mas retornou à porta do teatro pouco depois, iniciando uma nova discussão. De acordo com a Polícia Militar, ele trocou empurrões com um jovem de 24 anos que vestia uma camisa com frases católicas. Testemunhas relataram aos policiais que o humorista também dirigiu falas contra uma mulher, afirmando que ela não tinha direito de fala e que merecia ser chutada por ser cristã.
A Polícia Militar foi chamada e levou Santineli, o jovem e a mulher para a delegacia. Vídeos publicados em redes sociais mostraram o humorista em uma cela durante a noite. Na manhã de domingo, 22 de março, o artista informou em seu perfil que foi solto, fato confirmado pela Polícia Civil, que esclareceu que ele foi ouvido e liberado pela Central de Plantão Digital. O caso seguirá sob investigação da delegacia responsável. O advogado Bruno Correa, que representa um dos cristãos envolvidos, declarou em nota que seu cliente foi agredido injustamente pelo humorista e que tomará as medidas legais para a responsabilização do agressor e a apuração dos fatos.






