A Polícia Federal (PF) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) novos indícios que sugerem que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pode ter tentado ocultar ou proteger seus bens durante as investigações da Operação Compliance Zero. De acordo com a PF, foram detectadas movimentações financeiras que apresentam características típicas de ocultação, blindagem ou transferência de patrimônio. Essas informações foram determinantes para a decisão do ministro André Mendonça de manter a prisão preventiva do empresário.
Os detalhes sobre as movimentações identificadas permanecem em sigilo, e a decisão do STF não especifica quais bens foram movimentados, nem os valores ou as empresas envolvidas nas transações. A Polícia Federal argumenta que os novos elementos reforçam a existência de risco de interferência nas investigações em andamento. Além disso, a corporação indicou que Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, continua a atuar na administração dos interesses patrimoniais vinculados ao grupo econômico sob investigação.
O ministro André Mendonça negou o pedido da defesa de Daniel Vorcaro para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar. Em sua decisão, Mendonça destacou que os novos indícios fortalecem a necessidade de manter o banqueiro sob custódia. O objetivo é evitar qualquer interferência na coleta de provas e impedir a continuidade de práticas de ocultação de patrimônio.
A defesa de Vorcaro argumentou que ele iniciou negociações para um acordo de colaboração premiada e solicitou que essa informação fosse levada em consideração para a concessão da prisão domiciliar. No entanto, o ministro entendeu que a possibilidade de um acordo não elimina as razões que justificaram a prisão preventiva do banqueiro.
Nesta quinta-feira (25), Daniel Vorcaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, popularmente conhecido como Papudinha, em uma determinação do ministro André Mendonça. A defesa do banqueiro confirmou a realização da transferência.
Vorcaro está preso preventivamente desde março e é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de fraudes no sistema financeiro, no âmbito da Operação Compliance Zero. Na mesma decisão, o ministro André Mendonça determinou que o banqueiro permaneça isolado de outros investigados que estão detidos no caso, a fim de evitar qualquer contato que possa comprometer as investigações.
A Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no sistema financeiro, tem gerado repercussões significativas no setor bancário e levantado preocupações sobre a integridade das instituições financeiras no Brasil. A manutenção da prisão de Daniel Vorcaro reflete a seriedade das acusações e a necessidade de preservar a lisura das investigações em curso.









