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Governo reorganiza articulação, mas ainda depende de Pacheco no Senado

06/07/2026
Em Politica
Tempo de leitura:4 minutos de leitura
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A troca de comando da liderança do governo no Senado reorganizou a articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ainda não resolveu o principal problema do Palácio do Planalto na Casa: reconstruir a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A avaliação é compartilhada por integrantes do governo ouvidos pela reportagem. Embora a chegada da senadora Teresa Leitão (PT-PE), que completou uma semana no cargo na última sexta-feira (3), tenha reduzido a tensão interna e aberto uma nova frente de diálogo com os senadores, o Planalto reconhece que o sucesso da articulação continuará dependendo da capacidade de restabelecer uma interlocução com Alcolumbre. Nos bastidores, um personagem ganhou papel central nesse esforço: o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Derrota no STF mudou a estratégia
Interlocutores do governo apontam que a necessidade de reorganizar a articulação política ganhou força após a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. A derrota, considerada histórica por aliados de Lula, foi atribuída à articulação de Alcolumbre e aprofundou o desgaste entre o Palácio do Planalto e a cúpula da Casa.
Desde então, segundo apurado pela Itatiaia junto ao Planalto, o presidente do Senado passou a reforçar a disposição de conduzir uma agenda própria, sem funcionar como avalista automático de projetos enviados pelo Executivo ou aprovados pela Câmara.
O cenário também alterou a estratégia do governo para matérias de maior impacto fiscal. Propostas classificadas internamente como “pautas-bomba”, como a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, passaram a exigir negociações mais intensas. A avaliação é de que, em temas dessa natureza, Lula poderá participar pessoalmente das conversas com parlamentares.
Integrantes do governo também esperam negociações prolongadas para propostas como a PEC da jornada de trabalho, conhecida como PEC da escala 6×1, e a reforma da segurança pública, diante da sinalização de Alcolumbre de que os textos deverão passar por amplo debate antes de chegarem ao plenário.
Cada um com uma missão
A mudança ocorreu após Jaques Wagner deixar a liderança do governo em meio ao desgaste provocado por seu envolvimento nas investigações do caso Master. A escolha de Teresa Leitão foi interpretada no Planalto como uma oportunidade para reorganizar a articulação política em um momento de tensão com o Senado.
Teresa Leitão passou a concentrar o diálogo cotidiano com os senadores, conduzindo negociações em plenário e nas comissões, além de atuar diretamente com líderes partidários para construir acordos e solucionar impasses regimentais.
Ao ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, coube reforçar as negociações envolvendo liberação de emendas parlamentares e o cumprimento de acordos financeiros firmados entre Executivo e Congresso.
Segundo interlocutores do ministro, Teresa foi escolhida por reunir um perfil considerado conciliador e manter bom trânsito entre diferentes bancadas, inclusive da oposição. A expectativa do governo é que essa característica facilite a retomada do diálogo político no Senado.
Pacheco ganha protagonismo
Enquanto Teresa assumiu a interlocução institucional, Rodrigo Pacheco passou a desempenhar um papel informal considerado estratégico pelo Planalto.
Aliado de Lula e também próximo de Alcolumbre, o ex-presidente do Senado tem atuado, segundo interlocutores do governo, para reduzir a tensão entre os dois presidentes e reconstruir canais de diálogo interrompidos após o desgaste provocado pela indicação de Jorge Messias.
A atuação ocorre em um momento em que Pacheco decidiu permanecer no Senado, em vez de iniciar uma campanha ao governo de Minas Gerais — movimento defendido por aliados de Lula meses atrás. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que sua permanência acabou ampliando sua importância na articulação política nacional.
Por que Teresa
A escolha da senadora pernambucana também foi resultado de um cálculo político.
Antes da definição, o nome mais cotado para assumir a liderança era o do senador Camilo Santana (PT-CE). A avaliação dentro do partido, porém, foi a de que ele deveria concentrar esforços na disputa eleitoral no Ceará em 2026. Sua indicação também poderia ampliar o desgaste político de Jaques Wagner, que já enfrentava pressão após deixar o cargo.
Pesaram ainda a experiência de Teresa na liderança da bancada do PT no Senado, seu perfil conciliador e o fato de ela estar no meio do mandato, sem disputar a reeleição em 2026. A escolha também atendeu a uma demanda da base petista por maior presença feminina em postos estratégicos do governo.
Para o cientista político Elias Tavares, a mudança representa uma tentativa de renovar a interlocução do governo no Senado, mas não altera automaticamente a relação com Alcolumbre.
“O que muda é o perfil da interlocução. Teresa chega com prestígio dentro do PT, experiência legislativa e capacidade de diálogo. Mas a qualidade dessa relação continuará dependendo da capacidade do governo de construir consensos e negociar suas pautas prioritárias”, afirma.
A avaliação predominante entre integrantes do Planalto é que a troca de liderança reorganizou a articulação política, mas o teste da nova estratégia ocorrerá no segundo semestre. Será a capacidade de Teresa em construir maiorias e a de Pacheco em reabrir canais de diálogo com Alcolumbre que determinarão se o governo conseguirá destravar sua agenda no Senado.

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