O governo federal emitiu uma nota oficial nesta terça-feira (8) para expressar sua desaprovação em relação à participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O evento teve como objetivo discutir a proposta de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, um assunto que tem gerado controvérsia e preocupação entre os setores produtivos do Brasil.
No comunicado, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) destacou que a intervenção do senador teve um “claro objetivo eleitoreiro”. Flávio Bolsonaro foi o único brasileiro inscrito na audiência que não se posicionou contra a implementação das tarifas, limitando-se a defender apenas o adiamento da medida. A Secom apontou que, dos 78 participantes da audiência, 63 manifestaram-se contra as tarifas, incluindo representantes tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. Entre os 34 brasileiros que participaram do debate, apenas Flávio não fez uma defesa explícita pela revogação das tarifas.
Além disso, a nota do governo acusou o senador de legitimar a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, sem apresentar uma resposta às justificativas fornecidas pelo governo norte-americano para a adoção das tarifas. Essa postura, segundo a Secom, não apenas compromete a posição do Brasil nas negociações, mas também desconsidera o impacto que tais tarifas podem ter sobre a economia brasileira.
Outro ponto de crítica levantado pelo governo foi em relação a declarações feitas por Flávio Bolsonaro sobre o sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como PIX. O governo alegou que o senador estaria tentando mudar seu discurso sobre o mecanismo de pagamentos, sugerindo uma subordinação dos interesses do sistema aos interesses dos Estados Unidos. Essa mudança de postura foi interpretada como uma tentativa de alinhar a política econômica brasileira aos interesses de uma potência estrangeira.
O governo enfatizou que as negociações com as autoridades americanas continuam a ser conduzidas por canais diplomáticos. Na mesma data da audiência, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, da Justiça, das Relações Exteriores e do Palácio do Planalto participaram de reuniões técnicas com integrantes do USTR, com o intuito de buscar a reversão das tarifas propostas.
Ao concluir a nota, a Secom afirmou que divergências políticas são parte integrante do processo democrático, mas reforçou que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria”. O governo destacou a diferença entre fazer oposição ao governo e agir contra os interesses do Brasil, sublinhando a gravidade da situação e a necessidade de unidade em momentos críticos para a economia nacional.







