A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, está à frente de uma última tentativa da administração federal para garantir a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1. O governo busca que a votação ocorra antes do recesso parlamentar, programado para iniciar em 18 de julho. No entanto, a expectativa do Palácio do Planalto é de que as chances de avanço da proposta em Brasília são mínimas.
Para tentar viabilizar a votação, Teresa Leitão tem mobilizado outros parlamentares em busca de convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a encaminhar a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A decisão de Alcolumbre é considerada fundamental para o futuro da proposta, que é vista como uma prioridade para a gestão atual.
Apesar dos esforços, governistas reconhecem que eventos recentes diminuíram as possibilidades de progresso na pauta. Embora a aprovação da PEC já seja considerada uma tarefa difícil, havia a expectativa de que Alcolumbre, ao menos, enviasse o texto à CCJ antes do recesso. Contudo, senadores que conversaram com o presidente do Senado relataram que ele não demonstrou qualquer sinal de intenção de dar continuidade à discussão da proposta.
A manutenção das sessões semipresenciais no Senado é interpretada por esses parlamentares como um indicativo de que a PEC não será discutida neste momento. Teresa Leitão contava com a presença do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), em Brasília para as articulações finais, mas a falta de sinais de Alcolumbre e a realização das sessões semipresenciais levaram Alencar a optar por permanecer na Bahia.
A situação se complica ainda mais com o embate entre Davi Alcolumbre e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC). Uczai havia pressionado pela votação da PEC, afirmando que o presidente do Senado se tornaria um “inimigo” caso o texto não avançasse. Em resposta, Alcolumbre declarou que não aceitaria “ameaças e intimidações”, ressaltando a necessidade de um diálogo respeitoso.
Nos bastidores, há indícios de que um encontro entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia ser crucial para destravar pautas de interesse do governo. No entanto, até o momento, o Palácio do Planalto não sinalizou que essa reunião possa ocorrer, o que mantém as relações entre os poderes em um estado de tensão.
Sem a autorização de Lula para a reunião, a estratégia política do governo se concentra no diálogo entre Alcolumbre e Teresa Leitão, que continua a liderar os esforços para a aprovação da PEC. Além disso, assessores do presidente já consideram a possibilidade de transformar a questão em um dos principais pontos da campanha eleitoral, caso a proposta não seja votada a tempo. A avaliação é de que o governo cumpriu sua parte ao encaminhar a proposta, assegurando seu avanço na Câmara dos Deputados, mas enfrenta resistência no Senado. A situação permanece indefinida, com o impasse ainda sem solução.







