Felipe Camarão, atual vice-governador do Maranhão, é pré-candidato ao governo do estado nas eleições de 2026 pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A oficialização de sua candidatura ocorrerá durante a convenção partidária, marcada para agosto deste ano.
Nascido em 31 de dezembro de 1981, no Rio de Janeiro, Felipe Costa Camarão é filho de um maranhense e de uma carioca, ambos médicos. Desde a infância, ele se estabeleceu em São Luís, onde desenvolveu sua trajetória profissional e política. Formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Camarão também é professor na instituição e possui especialização em Gestão Pública, além de um mestrado em Direito.
Camarão iniciou sua carreira aos 16 anos, lecionando inglês em um curso de idiomas da família. Sua trajetória inclui aprovações em diversos concursos públicos, como escrivão da polícia civil, analista judiciário do Tribunal de Justiça do Maranhão e procurador federal. Ele ocupou cargos de destaque, como chefe do escritório de representação da Advocacia-Geral da União no Maranhão, procurador-chefe da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS e subprocurador-chefe da UFMA. Além disso, dirigiu o Procon-MA em duas ocasiões.
Em 2015, Camarão foi convidado pelo então governador Flávio Dino (PCdoB) para assumir a Secretaria de Estado de Gestão e Previdência, posteriormente ocupando as secretarias de Cultura e de Governo. Em março de 2016, foi nomeado secretário de Educação do Maranhão, cargo que exerceu por seis anos e 25 dias, tornando-se o gestor que mais tempo permaneceu à frente da pasta no estado. Durante sua gestão, implementou o modelo de escolas em tempo integral, que não existia no Maranhão até 2014, alcançando 196 escolas desse tipo até o final de 2022. Filiou-se ao PT em 2021.
Na eleição de 2022, Camarão foi escolhido pelo PT para compor a chapa de reeleição do governador Carlos Brandão (PSB) como vice-governador. A chapa foi vitoriosa, e ele assumiu o cargo em janeiro de 2023, acumulando também a Secretaria de Educação por um período adicional. Com a reeleição de Brandão, que está impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Camarão se encontra em uma posição favorável para a disputa ao governo.
Apesar de sua posição no governo, Camarão enfrentou um rompimento político com a ala liderada por Carlos Brandão em agosto de 2025. O desentendimento ocorreu após Brandão escolher seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato à sucessão, contrariando os planos políticos de Camarão e rompendo com o grupo liderado por Flávio Dino, que é um importante apoiador do vice-governador.
Em março de 2026, o Ministério Público do Maranhão solicitou ao Tribunal de Justiça do estado o afastamento cautelar de Camarão, que é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a policiais militares que fazem sua segurança. A investigação aponta movimentações financeiras atípicas de R$ 6,3 milhões entre Camarão e os policiais. Em abril de 2026, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspendeu o julgamento do pedido de afastamento, garantindo que a defesa de Camarão pudesse se manifestar antes de qualquer decisão. O processo continua em andamento, sem uma conclusão definitiva sobre o afastamento. Além disso, a Assembleia Legislativa do Maranhão instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as movimentações financeiras e o possível uso de servidores públicos vinculados à vice-governadoria.
Na corrida eleitoral de 2026, Felipe Camarão se destaca como pré-candidato em um cenário competitivo, que inclui nomes como Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB). De acordo com uma pesquisa realizada pelo Real Time Big Data, divulgada em 8 de julho de 2026, Eduardo Braide lidera com 44% das intenções de voto, seguido por Orleans Brandão com 31%. Camarão aparece com 9% das intenções, segundo o levantamento, que ouviu 1.600 eleitores maranhenses nos dias 6 e 7 de julho, apresentando margem de erro de 2 pontos percentuais e registrado no TSE sob o número MA-04311/2026.









