O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), manifestou a necessidade de intensificar o monitoramento das ações do governo federal em resposta ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Trad ressaltou a importância de uma avaliação contínua das iniciativas do Executivo que visam proteger a soberania nacional.
Durante a última reunião da CRE, o senador solicitou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informações detalhadas sobre a aplicação da Lei da Reciprocidade. Além disso, Trad pediu acesso aos estudos realizados pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), com o intuito de identificar como a comissão pode contribuir para a discussão em torno do tema.
O senador destacou que a colaboração entre as instituições brasileiras é essencial para entender os impactos comerciais das tarifas e para acompanhar as alternativas que estão sendo implementadas pelo governo federal para salvaguardar os interesses do Brasil. “Precisamos compreender seus impactos [dos estudos] e acompanhar, com responsabilidade, as alternativas que estão sendo construídas para proteger os interesses do Brasil. A Comissão de Relações Exteriores tem o dever de contribuir para esse processo”, afirmou Trad à Agência Senado.
Além de suas preocupações com as tarifas, o parlamentar enfatizou a necessidade de acelerar projetos estruturantes que possam aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional. Trad argumentou que a redução dos custos logísticos, a agilidade no transporte de cargas internacionais e a ampliação do acesso dos produtos brasileiros aos mercados do Pacífico e da Ásia são fundamentais para fortalecer a posição do país no comércio exterior.
Para exemplificar, Trad mencionou a importância da consolidação da Rota Bioceânica, a finalização da ponte internacional entre Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, assim como a implementação da Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR. Este regime, que já é utilizado por países da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África, agora também será adotado pelo Brasil, visando facilitar o transporte de mercadorias.
Em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a principal ação do governo federal até o momento foi a edição de uma medida provisória que instituiu o Plano Brasil Soberano 3. Este pacote de medidas inclui um apoio financeiro significativo para as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas, com a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados, direcionadas a exportadores e fornecedores.
Os setores da indústria e do agronegócio mais impactados pelas tarifas são nove, e a legislação editada pelo Executivo também ampliou o acesso a benefícios para diversos setores estratégicos da economia. Essa iniciativa visa mitigar os efeitos negativos das tarifas americanas e promover um ambiente mais favorável para as empresas brasileiras no mercado internacional.









