O senador Flávio Bolsonaro (PL-RRJ) mantém a estratégia de ampliar adesões para sua coligação na disputa presidencial de 2026, trabalhando para atrair o Republicanos para compor o palanque que o apoie. O objetivo é reverter, na prática, o cenário em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceria com maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A leitura atual do mapa de alianças indica que Flávio e o PL estariam isolados no conjunto das candidaturas, enquanto Lula, com apoio da Federação PT/PV/PCdoB, contaria com o respaldo da Federação PSOL/Rede, do PSB e do PDT. O período decisivo para eventuais realinhamentos se aproxima, já que as convenções partidárias costumam se encerrar no começo de agosto; neste caso, o prazo limite para mexidas no tabuleiro é 5 de agosto.
Segundo estimativa da CNN Brasil, com base na configuração das bancadas parlamentares e nas regras vigentes pela Justiça Eleitoral, Lula teria aproximadamente 24% a mais de tempo dedicado à propaganda na mídia do que Flávio. Além do presidente, outras lideranças também teriam espaço na propaganda: Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) aparecem como agentes com espaço para divulgação de suas candidaturas, conforme o recorte feito pela consultoria.
A propaganda eleitoral no Brasil ocorre em dois formatos: blocos fixos e inserções pontuais. Os candidatos à presidência compartilham dois blocos fixos de 12 minutos e 30 segundos cada, transmitidos às terças, quintas e sábados, tanto na televisão quanto no rádio. Além disso, as candidaturas dispõem de 14 minutos diários dedicados a pílulas informativas de 30 a 60 segundos. A distribuição dos tempos é regida por regras que costumam influenciar a estratégia de comunicação das campanhas, com impactos diretos sobre o alcance de cada postulante nos momentos de maior visibilidade do calendário político.
Quanto à repartição, a propaganda na TV e no rádio é estruturada da seguinte forma: 10% do tempo é distribuído de maneira igualitária entre as siglas, enquanto 90% fica sob a responsabilidade do espaço correspondente ao bloco que a coligação tiver elegenada nas eleições de 2022. Essa configuração leva em consideração a cláusula de barreira, de modo que apenas as siglas que atingiram esse patamar passam a ter direito ao espaço. Em consequência, siglas como Missão, encabeçada por Renan Santos e o ex-governador Romeu Zema, ficam sem tempo no formato regulamentado pela regra, o que indica a exclusão de seus nomes do tempo de televisão e rádio utilizado pela propagação formal.
Quanto ao alinhamento político do União Progressista (UP) com Flávio, o cenário é considerado praticamente inviável no curto prazo. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, informou pessoalmente ao senador que as legendas do PP manterão posição de neutralidade nas eleições. Ainda assim, houve, nos bastidores, a percepção de que há espaço para uma possível aproximação com o Republicanos, o que manteria em aberto a possibilidade de Flávio ampliar sua parcela de tempo de televisão e rádio caso a aliança se consolide.
No âmbito interno do Republicanos, há uma tendência de neutralidade. O presidente da legenda, Marcos Pereira (SP), tem declarado que consulta os diretórios estaduais antes de definir uma posição oficial, o que alimenta a hipótese de que o partido pode manter posição neutra caso não haja acordo específico com alguma candidatura. Ainda assim, segundo fontes consultadas, persiste a possibilidade de que o Republicanos acabe apoiando Flávio, o que, em termos práticos, lhe renderia mais tempo de mídia do que Lula na TV e no rádio, caso o desfecho seja esse.
Tempo de propaganda com eventual apoio do Republicanos
Embora o texto não descreva de maneira direta os números exatos de tempo para cada candidato caso o Republicanos apoie Flávio, o conjunto de informações disponíveis indica que a adesão da legenda ao palanque de Flávio significaria uma redistribuição de espaços que poderia favorecer o senador na comparação com Lula nas disputas de TV e rádio. A regra de que 90% do tempo depende do desempenho da coligação nas eleições anteriores reforça a ideia de que mudanças de apoio podem alterar significativamente a alocação de minutos em rede nacional.
Medidas de comunicação e percepção pública
Uma pesquisa da Quaest, divulgada recentemente, analisa hábitos de consumo de mídia para traçar cenários de comunicação entre os pré-candidatos. O levantamento, realizado entre 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais, mostra que Flávio está em desvantagem em relação a Lula entre o público que se informa pela TV e pelo rádio. Em contrapartida, o senador aparece na dianteira entre brasileiros que se informam por meio das redes sociais.
No recorte de eventual segundo turno, os resultados variam conforme a fonte de informação. Entre os que consomem TV, Lula seria lembrado por 56% dos entrevistados, enquanto Flávio ficaria com 28%. Já no rádio, Lula aparece com 52% e Flávio com 35%. Entre o público que utiliza redes sociais como principal veículo de informação, o cenário é diferente: 45% indicam Flávio, contra 39% para Lula. A Quaest ressalta que a sondagem foi realizada entre julho de 10 a 13, com a participação de 2.004 pessoas e uma margem de erro de dois pontos percentuais, em nível de confiança de 95%.
A conjuntura descrita evidencia o peso do corpo a corpo na construção de alianças para 2026 e o quanto a distribuição de tempo de propaganda na TV e no rádio pode influenciar a percepção pública ao longo da campanha. Enquanto Flávio busca ampliar sua base de apoio, principalmente no Republicanos, Lula mantém vantagem perceptível no âmbito da maior parcela da população que recebe informações pela TV e pelo rádio, de acordo com a leitura inicial da CNN Brasil com base nas regras eleitorais vigentes. A definição de alianças e a eventual equação de tempo de propaganda nas próximas semanas devem moldar o tabuleiro político brasileiro rumo ao pleito de 2026, cuja discussão envolve não apenas o formato da chapa, mas também o alcance de mensagens que chegam ao eleitorado por meio dos principais meios de comunicação.






