O PT definiu que o deputado federal Patrus Ananias será o candidato do partido ao Governo de Minas, encerrando meses de debates sobre a entrada dos petistas no pleito. Apesar de a decisão colocar fim a uma parte da indefinição, ela não resolvesse a estrutura completa da chapa e acende uma disputa entre legendas aliadas: PSB e PSOL, sobre a formação do conjunto de candidatos para o Senado e, eventualmente, o posto de vice na chapa ao Governo.
Ao longo desta semana, o PSB promoveu diversas reuniões, inclusive em Brasília, para discutir os rumos do partido em Minas Gerais. Um movimento significativo foi a retirada de candidatura do ex-senador Clésio Andrade da disputa ao Governo de Minas. Em outra frente, o ex-procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, que já foi cotado para o Executivo Estadual, passa a mirar a disputa pelo Senado, estando agora mais próximo dessa possibilidade.
Em conversa com a coluna, Jarbas afirmou que aguardará as definições da próxima semana para definir seu futuro político. Do lado da cúpula estadual do PT, a leitura é de que o PSB tende a pleitear a segunda vaga ao Senado, buscando construir uma dobradinha com Marília Campos, ex-prefeita de Contagem pelo PT. Essa leitura aponta para uma uma leitura interna de que o PSB pode não insistir na indicação de um nome próprio para a vice-presidência na chapa liderada por Patrus Ananias, uma composição cuja vice permanece em aberto.
Dentro dessa lógica, o PSB sinaliza que não está vinculando a sua atuação à exigência de ocupar a vice-presidência da chapa governista. A posição, no entanto, não consolida, ainda, quem ficará na condição de vice. O encaminhamento da legenda, dizem interlocutores, envolve negociações que vão além do governo estadual, levando em conta a eventual dobradinha para o Senado com uma figura do PT.
Do lado do PSOL, a perspectiva de uma chapa com Marília Campos e Jarbas Soares Júnior para as duas vagas no Senado representa, segundo o PT, o que seria o escanteamento de Áurea Carolina, deputada federal e figura de destaque da sigla no estado. Áurea já manifestou reiteradamente seu interesse em formar uma dobradinha com Marília Campos, aguardando um retorno positivo do PT para uma aliança, ainda que o PSOL tenha sinalizado, de modo explícito, que não terá, pela primeira vez em 20 anos, um candidato ao Governo de Minas, buscando, assim, um alinhamento com os petistas.
A articulação entre PT, PSB e PSOL permanece em uma fase de definição, com as duas legendas aliadas aguardando os próximos desdobramentos que devem ocorrer na próxima semana. A montagem da chapa envolve não apenas a disputa direta pelo Governo, mas também o desenho das vagas proporcionais ao Senado, cujas indicações tendem a influenciar, de maneira decisiva, o equilíbrio dessas forças políticas em Minas Gerais. Em síntese, embora o PT tenha fixado Patrus Ananias como seu candidato ao Executivo Estadual, as tratativas entre PSB e PSOL sobre o restante da composição da chapa — especialmente quanto às vagas ao Senado — devem permanecer no centro do cenário de alianças nos próximos dias, moldando, assim, o conjunto de alianças que deverá embalar a corrida eleitoral no estado.









