A possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, não disputar o governo de Minas Gerais começa a provocar uma reorganização das principais forças políticas do estado. Embora o parlamentar tenha aparecido na liderança das pesquisas realizadas ao longo de 2026, sua candidatura ainda não havia sido formalmente confirmada, alimentando especulações sobre os próximos movimentos do Republicanos, do PL e de partidos de centro-direita.
Nesse cenário, o nome de Marcelo Aro, ligado à Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, passou a ser discutido como alternativa para representar esse campo político na disputa pelo Palácio Tiradentes.
Reportagens publicadas pela CNN Brasil, pelo jornal O Tempo e pelo Estado de Minas indicam que setores do Republicanos e do PL avaliam apoiar Aro caso Cleitinho permaneça fora da eleição. A articulação buscaria reunir União Brasil, PP, Republicanos e PL em torno de uma candidatura única. Apesar das conversas avançadas, a composição ainda depende das convenções e das decisões formais das direções partidárias.
Cleitinho pode apoiar Aro, mas decisão não está oficializada
A hipótese discutida nos bastidores é que Cleitinho permaneça no Senado e participe da campanha como um dos principais apoiadores de Marcelo Aro. O senador poderia ajudar a transferir para o novo candidato parte do eleitorado conservador e popular que vinha declarando apoio ao seu nome nas pesquisas.
Levantamento Genial/Quaest divulgado em abril apontou Cleitinho na liderança dos cenários de primeiro turno, com índices entre 30% e 37%. Sua eventual saída, portanto, abriria um espaço eleitoral significativo e obrigaria os demais candidatos a disputar esses votos.
Não há, entretanto, garantia de transferência automática. Aro teria de ampliar seu conhecimento entre os eleitores do interior e se apresentar como continuidade de uma candidatura que até então estava associada diretamente à imagem e ao estilo político de Cleitinho.
A possível aliança também dependeria do apoio formal do PL mineiro. O partido vinha aguardando a definição de Cleitinho, mas já trabalhava com alternativas diante da demora. Dirigentes do Republicanos também admitiram publicamente a existência de um “plano B”.
Aro também enfrenta disputa dentro da centro-direita
Uma candidatura de Marcelo Aro criaria uma divisão com o grupo do atual governador Romeu Zema. O vice-governador Mateus Simões, do PSD, trabalha para representar a continuidade da atual administração estadual e já aparece como um dos nomes colocados na disputa.
Como Aro integrou o governo de Zema, sua entrada na corrida poderia provocar uma disputa direta pelo legado da atual gestão. De um lado, Simões buscaria se apresentar como o sucessor natural do governador. Do outro, Aro tentaria formar uma frente mais ampla, com partidos próximos ao bolsonarismo e ao Centrão.
O jornal O Tempo informou que a articulação em torno de Aro poderia isolar Simões e obrigar o grupo governista a renegociar alianças. A possibilidade de união entre Aro e Simões também já foi discutida, mas nenhum acordo definitivo foi anunciado.
Patrus Ananias tenta consolidar aliança entre PT e PSB
No campo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Patrus Ananias foi escolhido pelo PT para disputar o governo mineiro. O partido tenta formar uma chapa com o PSB, mas a escolha do candidato a vice ainda provoca divergências internas.
Uma ala do PSB mineiro, ligada ao deputado estadual Carlos Pimenta e a lideranças municipalistas, defende o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior. O grupo considera que o partido precisa ocupar um espaço de destaque na chapa e cobra maior participação das lideranças mineiras nas decisões.
Outra corrente defende o empresário Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e filho do ex-vice-presidente José Alencar. Josué conta com a preferência de lideranças nacionais, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, e possui a simpatia de setores próximos ao presidente Lula.
Carlos Pimenta alertou que uma decisão tomada exclusivamente pelas direções nacionais poderia desagradar candidatos do PSB e prejudicar a estratégia do partido para eleger deputados federais e estaduais. O parlamentar defende uma reunião com Jarbas Soares, com a direção estadual e com integrantes da bancada antes da definição.
O presidente estadual do PSB, Otacílio Costa, também mantém conversas com a direção nacional para tentar construir um consenso. Até o momento, Jarbas e Josué permanecem como os principais nomes avaliados para ocupar a vice de Patrus.
Kalil, Gabriel Azevedo e Mateus Simões completam o tabuleiro
Além de Patrus Ananias e da possível candidatura de Marcelo Aro, o cenário mineiro ainda inclui outros nomes relevantes.
Alexandre Kalil, do PDT, mantém sua intenção de disputar novamente o governo. Ex-prefeito de Belo Horizonte, ele conserva elevado conhecimento eleitoral e apareceu entre os principais colocados nas pesquisas anteriores.
Gabriel Azevedo, do MDB, também trabalha para consolidar uma candidatura própria, ocupando um espaço de centro. Até o momento, MDB e PDT não aderiram à frente articulada pelo PT e mantêm seus respectivos projetos.
Mateus Simões, por sua vez, tenta defender o legado do governo Zema e manter unida a atual base governista. Caso Aro receba apoio do PL, do Republicanos, do União Brasil e do PP, Simões poderá enfrentar dificuldades para conservar partidos que participaram da administração estadual.
Como pode ficar a disputa sem Cleitinho
Caso Cleitinho realmente não seja candidato e a articulação em torno de Marcelo Aro seja confirmada, o cenário mais provável passaria a ter quatro blocos principais:
Centro-direita e direita: Marcelo Aro, apoiado potencialmente por União Brasil, PP, Republicanos e PL, com Cleitinho atuando como cabo eleitoral.
Continuidade do governo Zema: Mateus Simões, pelo PSD, tentando reunir os aliados que permanecerem próximos à atual administração.
Campo governista nacional: Patrus Ananias, pelo PT, com um nome do PSB na vice, provavelmente Jarbas Soares ou Josué Gomes.
Candidaturas independentes ou de centro: Alexandre Kalil, pelo PDT, e Gabriel Azevedo, pelo MDB, caso os partidos mantenham candidaturas próprias.
Esse desenho ainda é provisório. A saída de Cleitinho eliminaria o nome que vinha liderando os levantamentos e poderia tornar a disputa mais aberta. Kalil começaria com vantagem de conhecimento eleitoral, enquanto Patrus buscaria associar sua campanha ao governo Lula. Aro dependeria da consolidação da aliança partidária e da participação ativa de Cleitinho. Simões tentaria transformar a avaliação do governo Zema em votos para sua candidatura.
Convenções definirão oficialmente as chapas
Pelo calendário eleitoral, os partidos e federações podem realizar suas convenções entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. É nesse período que devem escolher formalmente os candidatos e aprovar as coligações para as eleições majoritárias.
Depois das convenções, os pedidos de registro das candidaturas deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral. Por isso, mesmo articulações consideradas avançadas nos bastidores ainda podem ser modificadas até o encerramento do prazo.
Assim, a chapa com Marcelo Aro apoiado por Cleitinho e pelo PL deve ser apresentada, neste momento, como uma possibilidade em negociação — e não como uma aliança oficialmente fechada.







