O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) confirmou, nesta quarta-feira (29), que disputará o Governo de Minas Gerais, em uma coletiva de imprensa realizada à noite. A declaração ocorre após a legenda ter sido divulgada, em nota anterior, de que não lançaria a candidatura ao Palácio Tiradentes. A chapa, segundo o senador, será completada pelo ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos).
“Serei candidato a governador. A voz do povo é a voz de Deus, e preciso respeitar o povo mineiro”, afirmou Cleitinho Azevedo na Praça Santuário, em Divinópolis, na Região Centro-Oeste do estado, importante reduto eleitoral do parlamentar. Em seu discurso, ele também explicou a trajetória pessoal que, segundo ele, influenciou a decisão de adiar a candidatura durante o período de luto familiar. “A minha família tem um trauma sobre câncer. Meu irmão teve leucemia novamente; eu doei a medula há 18 anos. Em janeiro ele fez exame e a leucemia voltou. Ele ficou mais de 40 dias internado, foi para a UTI. Saiu em março e eu disse à minha família que não iria lançar candidatura enquanto ele não estivesse bem. Há uma semana enterrei ele e o jornal perguntava o que eu ia fazer. Não respeitaram meu luto”, relatou o senador, com a família mindful.
O senador explicou que, a partir da Copa do Mundo, o quadro do irmão se agravou, exigindo novo transplante e internações. “Como vou lançar candidatura de luto com meu irmão? Aí veio a convenção sábado, e eu disse para o pessoal que não conseguiria ir por causa do luto. Quem cuida da minha mãe somos nós, meus irmãos. Eu expliquei isso para o meu partido”, detalhou. Ainda houve uma sinalização de desculpa caso o assunto tenha incomodado o partido: “Inclusive, no domingo, mandei uma mensagem para o presidente do partido.”
Cleitinho afirmou que, se o povo o quiser, está preparado para conduzir a campanha, ressaltando que não pretende usar fundo eleitoral e que, se for eleito, pretende gastar menos dinheiro do que qualquer outro governador. “É o povo que vai fazer campanha pra mim”, declarou. Sobre o objetivo econômico da gestão, ele disse: “Se eu conseguir ser candidato a governador, vou ser o primeiro governador eleito que menos gastou dinheiro. Eu não vou fazer de tudo para ganhar a eleição; eu vou fazer de tudo para mudar a vida das pessoas.”
O posicionamento do Republicanos e a oposição ao processo de escolha
Na manhã desta quarta-feira, o Republicanos divulgou que Cleitinho Azevedo não seria candidato ao governo de Minas Gerais. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, a legenda afirmou que o senador não demonstrou interesse em assumir o cargo e atrasou acordos com outras siglas aliadas. “Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo”, afirma a nota oficial do partido.
Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, comentou que Cleitinho “perdeu o timing” ao não participar da convenção do partido no último sábado (25). A indefinição sobre a candidatura se estendeu por meses, envolvendo também o interesse de outras siglas. O PL discutia a possibilidade de lançar um candidato próprio em Minas ou apoiar Cleitinho para fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do país. Já o PSD do governador Mateus Simões acompanhava os movimentos com atenção, temendo um cenário em que Cleitinho se consolidasse como adversário difícil na campanha.
O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirmou que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de Cleitinho Azevedo disputar o governo pela legenda. A executiva estadual ressaltou que o entusiasmo não se materializou na Convenção Estadual realizada no dia 25 de julho, o que provocou consequências políticas naturais. Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu condições políticas, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador, adiando decisões estratégicas para preservar a viabilidade de uma eventual candidatura.
Segundo o posicionamento oficial, a ausência de Cleitinho na Convenção Estadual, apesar de justificativas pessoais, representou um fato político objetivo que exigiu que partidos aliados tomassem decisões e reacomodassem seus caminhos. O Republicanos argumenta que o partido trabalhou para viabilizar a candidatura, mas reconhece que faltou a decisão inequívoca de quem deveria liderar o projeto. A executiva conclui que, apesar de respeitar a trajetória parlamentar do senador, precisou conduzir o roteiro político com previsibilidade e em respeito aos filiados, aliados e à população mineira, diante da falta de confirmação formal por parte do principal potencial candidato.
O cenário político mineiro permanece em constância de negociações entre siglas, com o Republicanos mantendo o tom de que tratou a possibilidade com seriedade, mesmo diante da conclusão pública de que a candidatura não teria sido formalmente assumida por quem deveria liderá-la. A história recente do processo, incluindo as declarações de Cleitinho, as informações oficiais do partido e o posicionamento de adversários, deixa claro que o estágio de definição continua a influenciar o ritmo das alianças para as eleições no estado.







