A Polícia Federal (PF) elaborou um relatório detalhado que aponta a ligação de pelo menos seis empresas a familiares do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito de um inquérito que investiga desvios financeiros relacionados ao Banco Master. A investigação revela uma complexa rede de transferências e operações financeiras que envolvem familiares do parlamentar, especialmente seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, e empresas de fachada utilizadas para ocultar a origem e o destino de valores suspeitos.
Segundo a PF, o senador Wagner entrou na mira das autoridades após suspeitas de que teria recebido vantagens indevidas de gestores do Banco Master em troca de atuação parlamentar favorável à instituição financeira. A Polícia Federal sustenta que, para dificultar o rastreamento dessas vantagens, parte dos valores foi transferida por meio de empresas, fundos de investimento e terceiros ligados aos investigados. Um exemplo citado na investigação é o apartamento adquirido por ordem de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, para uso de Wagner, evidenciando a tentativa de ocultar a relação direta entre os beneficiários.
Entre as empresas identificadas, a principal é a BN Financeira, sediada na Bahia, cuja sócia é Bonnie Toaldo de Bonilha, esposa de Eduardo Sodré. A PF destaca que, durante análise do celular de Augusto Lima, foi descoberto um diálogo com o enteado de Wagner, relacionado às obrigações financeiras do ex-banqueiro perante a BN Financeira. A investigação aponta que esses contatos indicam uma relação de troca, na qual Augusto Lima teria vinculado o pagamento de valores ao sucesso de operações financeiras pretendidas pelos empresários ligados ao grupo Banco Master.
Um pagamento de aproximadamente R$ 3,5 milhões foi identificado pela PF como realizado à BN Financeira após cobranças feitas por Eduardo Sodré, que, segundo os investigadores, pressionava Augusto Lima para quitar dívidas relacionadas à operação financeira. Os recursos tiveram origem na PKL One Participações, empresa que operava o produto CredCesta e era dirigida por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima. Essa movimentação reforça a suspeita de favorecimento e troca de favores envolvendo membros do núcleo familiar de Wagner.
Além da BN Financeira, a PF identificou outras cinco empresas relacionadas a familiares do senador, entre elas a BN Representações, anteriormente conhecida como Vamos Florir Comércio de Flores. Fundada em 2019 por Eduardo Sodré e Bonnie Toaldo, a empresa passou por uma reestruturação em janeiro deste ano, mudando de ramo e de nome para atuar na área de tecnologia da informação. Outras empresas ligadas ao grupo incluem a Sodré Martins Serviços Administrativos, na qual Eduardo Sodré é sócio, e a GF4.15 Participações e Consultoria, sediada em São Paulo, que também conta com Guilherme Sodré Martins — pai de Eduardo — no quadro societário.
A investigação também revelou a proximidade entre Guilherme Sodré, conhecido como “Tio Guiga”, e o senador Wagner, com mensagens interceptadas indicando que os primeiros contatos entre Wagner e Daniel Vorcaro, ex-sócio de Augusto Lima no Banco Master, foram intermediados por Guilherme. Além disso, há registros de contatos frequentes entre Vorcaro, Augusto Lima, Wagner, Guilherme Sodré e outros envolvidos, incluindo discussões relacionadas à venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
De acordo com interceptações, Vorcaro chegou a afirmar a um jornalista que Wagner e outros nomes do Executivo apoiariam a venda do banco ao BRB. A PF aponta que há uma correlação entre o apoio político do senador à operação e as cobranças financeiras feitas por Eduardo Sodré a Augusto Lima, vinculando o pagamento de dívidas à decisão do Banco Central de rejeitar a aquisição do Banco Master pelo BRB. Assim, a investigação sugere que o apoio político e os repasses financeiros ao núcleo familiar de Wagner integrariam um circuito de contrapartidas recíprocas, indicando possível esquema de troca de favores envolvendo políticos, empresários e familiares do senador.








