A Justiça de Minas Gerais decidiu nesta sexta-feira (31 de julho) pela prorrogação por mais 30 dias da prisão temporária de Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, considerado por autoridades como um dos principais traficantes do estado e do país. A decisão foi assinada pelo juiz Roberto Oliveira Araújo Silva e ocorre em meio às investigações que envolvem o investigado, que deve passar por audiência de instrução nesta segunda-feira (3 de agosto).
Mancha está sob custódia desde que foi preso na Bolívia, após passar cerca de um ano foragido. Sua prisão temporária foi inicialmente decretada para garantir a continuidade das investigações relacionadas ao tráfico de drogas e outros crimes conexos. A prorrogação foi solicitada pela Polícia Civil, que alegou que as diligências ainda estão em andamento e que os requisitos legais para a manutenção da prisão permanecem presentes. O Ministério Público também manifestou-se favoravelmente ao pedido, reforçando a necessidade de manter Douglas sob custódia para assegurar o andamento do caso.
A decisão do magistrado considerou que os elementos apresentados pelos investigadores demonstram a imprescindibilidade da prisão para a preservação das investigações. Segundo o juiz, há ainda pessoas a serem localizadas e ouvidas, além de contradições que precisam ser esclarecidas e versões que devem ser confrontadas. O magistrado destacou o risco de interferência, manipulação de testemunhas ou obstrução das provas, especialmente diante da vulnerabilidade testemunhal já constatada durante o processo. Além disso, a decisão ressaltou o histórico de rompimento da monitoração eletrônica, evasão internacional e uso de identidade falsa por parte do investigado, fatores que reforçam a insuficiência de medidas menos restritivas para impedir que ele frustre as diligências ou se furte novamente à atuação estatal.
A prorrogação da prisão temporária foi justificada, ainda, não pela gravidade do delito ou pela duração do inquérito, mas pelas diligências concretas que surgiram ou foram aprofundadas durante o período inicial, bem como pelas provas ainda em formação e pelas circunstâncias pessoais do investigado.
Douglas “Mancha” chegou a quase ser libertado há aproximadamente um mês, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que entendeu que sua prisão preventiva havia ultrapassado o prazo legal sem a devida reavaliação obrigatória. Contudo, antes que a soltura fosse efetivada, a Justiça de Minas Gerais reavaliou o caso e decretou novamente a prisão preventiva do investigado, mantendo sua detenção.
Natural de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Douglas é apontado pela Polícia Civil como fundador da facção Tropa do Douglas (TDD), envolvida no tráfico interestadual e internacional de drogas, com suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, sua trajetória criminal começou com roubos de carga e evoluiu para o tráfico de drogas. Em 2022, uma operação policial indicou que ele foi responsável pelo envio de mais de 300 quilos de cocaína, escondidos em uma carga de açaí destinada a Portugal.
Em 2023, Douglas foi preso em Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas posteriormente obteve autorização para cumprir prisão domiciliar. No entanto, durante uma operação da Polícia Civil em Capitólio, no Sul de Minas, os investigadores encontraram apenas a tornozeleira eletrônica do suspeito presa a um macaco de pelúcia, indicando que ele havia fugido do monitoramento eletrônico. Após cerca de um ano foragido, ele foi localizado e preso na Bolívia, reforçando a complexidade e a gravidade do caso.







