O recém-eleito presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Abrantes, manifestou, em entrevista ao podcast Dia a Dia da Política, conduzido por Bertha Maakaroun, sua posição favorável à adoção de uma política tarifária mais rígida para produtos provenientes do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Abrantes sugeriu que o Brasil implemente um “tarifaço” similar ao que foi adotado pelos Estados Unidos, com o objetivo de restringir a entrada de bens importados dessas nações, que, segundo ele, estão prejudicando o mercado interno brasileiro.
O dirigente destacou que a principal preocupação do setor industrial nacional é a facilidade com que produtos do Mercosul, sobretudo do país vizinho, entram no Brasil, prejudicando a competitividade de empresas brasileiras. Ele apontou que há uma ausência de uma política específica para regular essa entrada e evitar o que chamou de dumping — prática de vender produtos a preços inferiores ao custo de produção, muitas vezes apoiada por subsídios governamentais.
Abrantes enfatizou que, atualmente, o mercado brasileiro enfrenta uma situação em que produtos, como o leite, chegam ao país com preços entre 20% e 25% mais baixos do que o custo de produção interno. Segundo ele, essa diferença se deve ao subsídio concedido pelos governos da Argentina e do Uruguai aos seus produtores, o que torna esses produtos altamente competitivos no mercado brasileiro. “Existe um subsídio que é dado pelo governo argentino e uruguaio. Então esse subsídio na produção leiteira facilita muito a entrada dos produtos aqui”, explicou.
Ele ressaltou que, apesar de o Brasil possuir grandes fazendas de produção de leite, a maior parte do setor ainda é composta por pequenos produtores que vivem de suas atividades. Abrantes afirmou que a entrada de produtos subsidiados ameaça a sobrevivência desses pequenos agricultores, ao competir com produtos mais baratos e subsidiados, o que pode levar à eliminação de muitas dessas pequenas unidades de produção. Para ele, a solução mais adequada seria a implementação de tarifas elevadas para produtos importados, de modo a proteger a produção nacional e evitar a entrada de bens subsidiados que prejudicam o mercado interno.
Além da questão tarifária, Abrantes também destacou a elevada carga tributária brasileira como um fator que desmotiva os empresários. Ele afirmou que os altos custos fiscais no país dificultam a competitividade das indústrias nacionais e contribuem para a desmotivação dos empreendedores. Segundo o presidente da Fiemg, sem uma mudança na política tributária, o ambiente de negócios continuará a apresentar dificuldades, o que pode impactar negativamente o crescimento do setor produtivo nacional.
Ao final, Abrantes reforçou a necessidade de o Brasil adotar medidas mais firmes para proteger sua indústria frente às práticas de subsídio e dumping praticadas por países do Mercosul, além de apontar a urgência de reformas na carga tributária para estimular o empreendedorismo e fortalecer a economia brasileira.






