O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) decidiu oficialmente não disputar o Governo de Minas Gerais neste ano, decisão que altera significativamente o cenário eleitoral no estado e deixa a disputa com múltiplos candidatos sem um favorito claro. Após meses de hesitação, a definição foi confirmada nesta segunda-feira (3), após reunião em Brasília entre o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, e o próprio senador. A decisão do partido ocorre em um momento de forte expectativa e movimentação no tabuleiro político mineiro, que agora se vê sem uma liderança consolidada para o Palácio Tiradentes.
Segundo Marcos Pereira, o partido tentou, durante semanas, convencer Cleitinho a formalizar uma candidatura ao governo estadual, oferecendo diversas oportunidades de alinhamento com alianças e partidos aliados, como o PL, o União Brasil e o Progressistas (PP). No entanto, o senador optou por não seguir adiante, alegando dificuldades pessoais e um momento delicado que estaria enfrentando. Pereira afirmou que a decisão foi tomada de forma espontânea pelo parlamentar, que, em lágrimas, pediu desculpas ao povo mineiro por não poder concorrer nesta eleição. Cleitinho também justificou sua postura ao afirmar que sua condição atual não lhe permitiria participar de uma campanha de forma honesta e transparente, reforçando a necessidade de ser sincero com seus apoiadores.
A ausência do senador na disputa abre espaço para uma corrida eleitoral mais indefinida, principalmente na direita e na centro-direita, que agora buscam de forma rápida nomes que possam representar suas forças no processo eleitoral. Entre as possibilidades, destaca-se a candidatura do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que é visto como um dos nomes mais fortes do PL. Outra alternativa considerada pelo partido é o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, também pelo PL, que tem experiência na administração municipal e pode ser uma opção viável para a legenda.
Além dessas possibilidades, há também o movimento de partidos ligados ao espectro de Jair Bolsonaro, que avaliam apoiar uma eventual candidatura de Marcelo Aro (PP). O ex-deputado e ex-aliado do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), tem sido mencionado como uma alternativa para consolidar uma candidatura de centro-direita. As definições sobre essa estratégia podem ser divulgadas ainda nesta segunda-feira (3), durante a convenção da federação União-PP, marcada para às 18h.
No campo da esquerda, o cenário também ganha novos contornos com a saída de Cleitinho. O deputado federal Patrus Ananias (PT) surge como uma possibilidade de consolidar uma candidatura que possa ampliar sua base de apoio, incluindo o centro político. Próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus tem articulado para ter em seu entorno aliados do Partido Socialista Brasileiro (PSB), de Geraldo Alckmin, na tentativa de formar uma chapa competitiva. Entre os nomes considerados pelo PSB estão Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares. A convenção do PSB, realizada no último domingo (2), terminou sem uma definição clara sobre o futuro do partido na disputa estadual, reforçando a incerteza que permeia o cenário político mineiro após a decisão de Cleitinho.
A ausência de um candidato consolidado de peso, tanto na esquerda quanto na direita, evidencia a complexidade e a imprevisibilidade do processo eleitoral em Minas Gerais nesta temporada, que deve se desenrolar nas próximas semanas com forte disputa por espaço e por lideranças capazes de representar os diferentes grupos políticos.






