Um incêndio de grandes proporções atingiu um barracão localizado na rua Oliveira Maria de Jesus, no bairro Floramar, na Região Norte de Belo Horizonte, na tarde desta segunda-feira, dia 3. A origem do fogo foi uma ação de um casal que morava no mesmo lote, ao realizar a queima de lixo no quintal da propriedade. A combustão, que inicialmente parecia controlável, saiu do controle e se espalhou pelo terreno, causando prejuízos materiais e danos às estruturas próximas. Ninguém ficou ferido na ocorrência.
Segundo informações fornecidas pelos moradores às equipes de bombeiros, a mulher responsável pela residência afirmou que iniciou a queima de lixo no quintal, mas ao entrar na casa e deixar o fogo desacompanhado, as chamas rapidamente se intensificaram. Ela relatou que, pouco tempo depois, percebeu o calor excessivo e notou que o fogo se propagou para um amontoado de lenha, proveniente de uma árvore cortada na propriedade, agravando a situação.
O residente Raimundo Martins, de 65 anos, contou à imprensa que perdeu objetos pessoais que estavam armazenados no barracão, além de roupas destinadas à venda em um bazar, que estavam em um cômodo do lote. Ele descreveu a situação como uma ação irresponsável, afirmando que o fogo se alastrou rapidamente, destruindo tudo que havia no local e causando prejuízos significativos. “Eles colocaram fogo sem noção, aí alastrou fogo, queimou as coisas que estavam dentro do barracão, mais as roupas do bazar, destruiu tudo e causou esse incêndio. E colocou o incêndio sem pedir permissão, sem nada. (…) o trem lastrou e pegou fogo nas paredes, tá dando prejuízo pro rapaz da loja do lado, e queimou meus pertences também que estavam dentro do barracão”, afirmou.
Apesar de tentar salvar seus pertences ao perceber o incêndio, Raimundo afirmou que chegou tarde demais. “Quando eu cheguei aqui, não tinha mais jeito de correr atrás, já estava tudo derretido”, declarou. A moradora Maria Terezinha de Paulo Oliveira, que também reside no lote, relatou que tentou ajudar os vizinhos a apagar o fogo, mas as portas do imóvel permaneciam fechadas. Ela perdeu roupas que vendia em um bazar, além de ter sentido um cheiro forte de fumaça e perceber as chamas altas ao olhar pela janela. “Eu fiquei sentindo um cheiro esquisito. Mas eu não dei confiança. Eu estava com dor de cabeça e não dei confiança. Quando eu fiquei sentindo muito forte, eu olhei para a janela e vi as chamas altas. Eu corri aqui fora querendo ir lá apagar, só que eles não abriram o portão. Eu não conseguia abrir porque tinha para ajudar a apagar porque eles não abriram o portão. Aí eu corri e chamei o bombeiro”, relatou.
Diante da situação, a Defesa Civil de Belo Horizonte foi acionada para avaliar as condições do imóvel vizinho ao barracão atingido. A equipe técnica verificou o desplacamento de parte do revestimento na parede de divisa entre os imóveis, além de trincas provocadas pelo calor intenso. Para conter as chamas, os bombeiros estabeleceram duas linhas de ataque, utilizando aproximadamente quatro mil litros de água.
A ação dos bombeiros foi fundamental para evitar que o incêndio se espalhasse ainda mais, mas reforça a necessidade de cuidados ao realizar queimas de lixo em propriedades particulares. A prática de colocar fogo em resíduos sólidos, mesmo em terrenos próprios, é considerada crime, conforme previsto no artigo 54 da Lei nº 9.605/1998, que trata das punições por crimes ambientais. Além do risco de penalidades legais, esse tipo de ação pode gerar poluição atmosférica devido à liberação de fumaça e resíduos tóxicos, colocando em risco a saúde pública.
O incêndio também causou danos estruturais ao imóvel, incluindo o desplacamento de partes do revestimento na parede de divisa e trincas provocadas pelo calor excessivo. Tais danos podem representar riscos adicionais à segurança dos moradores e vizinhos, além de implicar em prejuízos materiais consideráveis.
Este episódio reforça a importância de evitar práticas de queima de resíduos sem supervisão adequada, especialmente em áreas residenciais, devido ao potencial de incêndios de grande escala e às consequências ambientais e patrimoniais que podem advir. A legislação brasileira prevê penalidades severas para quem pratica esse tipo de atividade de forma negligente, tendo em vista os riscos à saúde, ao meio ambiente e à segurança pública.









