O ato de gatos pressionarem com as patas dianteiras uma manta, almofada ou até mesmo no próprio colo, popularmente conhecido como “amassar pãozinho”, é uma conduta comum observada entre felinos. Essa ação, que remete a um movimento de compressão alternada, tem raízes que remontam aos primeiros momentos de vida dos animais e possui significados variados ao longo de sua existência.
De acordo com a bióloga, comunicadora telepática animal e terapeuta integrativa Daniela Gil, esse comportamento é de origem instintiva, tendo surgido durante a fase de amamentação, quando os filhotes pressionavam as patas sobre a região mamária da mãe para estimular a liberação do leite. Com o tempo, essa ação pode permanecer na vida adulta, assumindo diferentes funções. Para ela, comportamentos que inicialmente estavam ligados à alimentação, calor, proximidade física e proteção, podem se transformar em manifestações de conforto e segurança, mesmo em contextos diferentes do original.
A influência do ambiente e das experiências ao longo da vida também é determinante na frequência e no momento em que o gato realiza o “amassar pãozinho”. O veterinário Igor Zimovski, diretor da Clínica Veterinária do Centro Universitário UNICEPLAC, reforça que há um componente inato nesse comportamento, mas que ele pode ser reforçado ou atenuado pelo aprendizado e pelas vivências do animal. Assim, gatos podem manter esse hábito durante toda a vida, realizá-lo ocasionalmente ou praticamente nunca, sem que isso indique qualquer problema de saúde ou de relacionamento.
Importante destacar que a frequência com que o comportamento ocorre não deve ser interpretada como um indicativo de uma relação mais ou menos afetiva com a mãe ou com o tutor. Daniela Gil alerta que a frequência do ato não é um parâmetro válido para avaliar o vínculo ou a qualidade da experiência materna, pois fatores como personalidade, experiências individuais e o ambiente influenciam essa manifestação.
Quando o movimento ocorre no colo do tutor, muitas pessoas interpretam como uma demonstração de afeto. No entanto, especialistas recomendam cautela na leitura desse comportamento, destacando que ele não deve ser reduzido a uma simples expressão de amor. Daniela Gil explica que, embora possa haver uma manifestação de vínculo, o gesto é mais complexo e não se limita a uma única interpretação.
Para Igor Zimovski, quando o gato está relaxado, ronronando e com postura corporal tranquila, o “amassar pãozinho” provavelmente indica conforto e sensação de segurança. Ainda assim, o significado do comportamento deve ser avaliado de acordo com o contexto, pois ele também pode ocorrer em situações de tensão ou estresse, acompanhadas de sinais como pupilas dilatadas, orelhas para trás, corpo tenso, tentativas de fuga ou vocalizações diferentes.
A frequência do comportamento, por si só, não é um motivo de preocupação. Contudo, quando o ato se torna excessivamente repetitivo, difícil de interromper ou prejudica a alimentação, o sono, a interação social ou a exploração do ambiente, pode indicar ansiedade ou algum transtorno. Nesses casos, a orientação veterinária é fundamental para investigar causas médicas, como dores, doenças dermatológicas ou alterações neurológicas.
Em relação ao uso das garras durante o movimento, os especialistas recomendam evitar punições, como gritos ou empurrões, que podem gerar medo e prejudicar a relação com o animal. Uma alternativa prática é colocar uma manta ou almofada mais espessa entre as patas do gato e a pele, além de oferecer tecidos que ele goste de amassar e manter as unhas devidamente aparadas. Igor Zimovski orienta que, ao invés de eliminar o comportamento, é possível modificar o ambiente e oferecer alternativas que minimizem o desconforto.
Por fim, o “amassar pãozinho” é um comportamento que, embora tenha origem na fase neonatal, adquire diferentes funções e significados ao longo da vida do gato. Os especialistas recomendam uma observação atenta ao animal, levando em conta seu ambiente, rotina e mudanças comportamentais, para compreender melhor suas manifestações e garantir seu bem-estar.








