A peça “O Deus da Carnificina”, considerada uma das obras mais relevantes do teatro contemporâneo, chega a Belo Horizonte pela primeira vez em uma nova montagem brasileira. A apresentação, dirigida por Rodrigo Portella, será realizada nos dias 8 e 9 de agosto no Grande Teatro do Sesc Palladium, localizado na Rua Rio de Janeiro, nº 1046, no centro da cidade. A produção integra a programação comemorativa dos 15 anos do espaço cultural e conta com um elenco formado por Bianca Byington, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch.
A peça, originalmente escrita pela dramaturga francesa Yasmina Reza e publicada em 2006, aborda uma situação aparentemente trivial: o encontro de dois casais para discutir uma briga envolvendo seus filhos. O objetivo inicial é resolver o conflito de forma civilizada, mas a conversa rapidamente se transforma em um palco de ressentimentos, disputas de poder, intolerância e contradições, colocando em xeque a ideia de convivência harmoniosa. Com uma duração de aproximadamente 80 minutos, o espetáculo mistura humor ácido, desconforto e tensão dramática, transformando um episódio cotidiano em uma reflexão profunda sobre as relações humanas e a fragilidade das convenções sociais.
Sob a direção de Rodrigo Portella, conhecido por suas montagens de forte intensidade dramática, a nova versão da peça aposta em uma encenação minimalista. A cenografia utiliza poucos elementos, estimulando a imaginação do público, enquanto os figurinos realistas ajudam a construir a identidade dos personagens. Segundo o diretor, a proposta é evidenciar o limite tênue entre civilidade e barbárie, demonstrando como comportamentos aparentemente controlados podem facilmente evoluir para violência, intolerância e caos.
Anna Sophia Folch, atriz e idealizadora do projeto, destacou a atualidade da obra, mesmo quase duas décadas após sua estreia. Ela ressaltou que “O Deus da Carnificina” dialoga com um cenário marcado pela polarização, dificuldades de diálogo e defesa incondicional de diferentes narrativas. Temas como educação, convivência, relações familiares e disputas de poder continuam relevantes e facilmente reconhecíveis pelo público contemporâneo, reforçando a permanência da peça no repertório do teatro atual.
A apresentação em Belo Horizonte tem um significado especial, pois marca o retorno da obra ao palco do Sesc Palladium, onde integrou a programação de inauguração do espaço em 2011. Após esse período, a peça retorna em uma montagem inédita, reforçando sua importância e seu lugar entre os grandes clássicos do teatro contemporâneo.
Os ingressos estão disponíveis para venda tanto pelo site oficial quanto na bilheteria do teatro. Os valores variam conforme a localização do assento: Plateia I custa R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia e cliente Sesc); Plateia II, R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia e cliente Sesc); e Plateia III, R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia e cliente Sesc). As sessões estão agendadas para sábado, dia 8 de agosto, às 20h30, e domingo, dia 9, às 18h30. A classificação indicativa é de 14 anos.







