O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) voltou atrás na decisão de desistir da candidatura ao governo de Minas Gerais menos de 24 horas depois de anunciar que não disputaria o Palácio Tiradentes. A declaração foi feita na manhã desta terça-feira (4), durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília.
Em discurso, Cleitinho disse que tomou a decisão de desistir num momento de fragilidade emocional, em meio ao luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, e pediu ao presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, que reveja a posição do partido.
“Eu quero ser candidato a governador e peço humildemente ao presidente que nos dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido, não vou decepcionar o senhor, presidente. Vou aumentar essa bancada mineira dentro do partido e trabalhar principalmente pelo povo mineiro“, afirmou.
Partido recusa
Porém, o Republicanos recusou o apelo do senador. Marcos Pereira enumerou as diversas oportunidades que o senador teve para se definir como candidato – “foram dadas dilações de prazo” – e afirmou que, dez minutos após a gravação do vídeo de desistência, Cleitinho já ligava pedindo para gravar outro, agora confirmando a candidatura.
“Eu seria irresponsável de colocar como governador uma pessoa que ora pensa uma coisa, ora pensa outra. Voltar atrás, todo mundo tem direito, mas não pode ser inconstante“, afirmou o presidente do Republicanos.
Cleitinho disse que família o incentivou a permanecer na disputa
O senador disse que, ao gravar o vídeo em que anunciava a desistência na véspera, passava por um momento de “vulnerabilidade” e que foi incentivado pela família e por apoiadores a permanecer na disputa. “Ontem, quando fui decidir essa situação, tive momentos de vulnerabilidade, de espiritualidade, não estava bem. Minha mãe e meu irmão chegaram em casa e falaram: ‘Não desista. A gente vai fazer campanha para você'”, declarou.
Na segunda-feira (3), Cleitinho havia anunciado que não concorreria ao governo, alegando que precisava cuidar de si e da família após a morte do irmão. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador apareceu emocionado e afirmou que não tinha condições de enfrentar uma campanha eleitoral.
A desistência ocorreu após semanas de impasse entre Cleitinho e a direção nacional do Republicanos, que decidiu não confirmar sua candidatura mesmo com o senador liderando as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas.
Com a saída dele da disputa, a expectativa era que Republicanos, PL e a federação União Progressista oficializassem apoio ao ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), apontado como o principal nome do grupo para o Palácio Tiradentes.
Agora, a reviravolta de Cleitinho recoloca o cenário em aberto.







