A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) vem implementando uma estratégia específica para fortalecer sua relação com o eleitorado evangélico, segmento no qual mantém vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o objetivo de reduzir a rejeição e ampliar suas intenções de voto entre os fiéis, a equipe do parlamentar vem atuando de forma coordenada há cerca de uma semana, procurando estabelecer maior proximidade com lideranças religiosas e adaptar sua comunicação às referências do segmento.
A iniciativa ocorre em um momento em que as pesquisas indicam que Flávio possui 35% das intenções de voto entre os evangélicos no primeiro turno, contra 28% de Lula, de acordo com levantamento divulgado pela pesquisa Genial/Quaest na última quarta-feira, dia 5 de agosto. No conjunto do eleitorado geral, Lula lidera com 39%, enquanto Flávio soma 30%. Em uma eventual disputa de segundo turno, o senador mantém vantagem entre os evangélicos, com 48% contra 33% do petista, embora, na soma geral, Lula esteja à frente com 44% contra 39%.
A estratégia de aproximação inclui ações de contato com lideranças religiosas e a participação de integrantes da coordenação na busca por alianças políticas dentro do segmento. O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é um dos responsáveis pela articulação. Além dele, o líder da bancada evangélica no Congresso, deputado Gilberto Nascimento (Podemos-SP), foi procurado pela coordenação de Flávio e deve se reunir com aliados do senador ainda nesta semana, fortalecendo o diálogo com as igrejas.
A equipe também planeja agendar encontros do candidato com lideranças religiosas de diferentes denominações, incluindo igrejas como o Ministério de Madureira e a Igreja Universal do Reino de Deus, com o objetivo de abrir canais de comunicação e ampliar a presença do candidato durante a campanha. Flávio já iniciou essa participação, tendo comparecido a um culto na Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, ao lado do ex-deputado federal Eduardo Cunha, em uma iniciativa que faz parte do movimento de aproximação com líderes religiosos de destaque, como o líder da denominação, Valdemiro Santiago.
Além do contato direto, a equipe orienta Flávio a ajustar sua linguagem em discursos, vídeos e manifestações públicas, buscando referências que criem maior identificação com diferentes grupos evangélicos. Uma das ações ocorreu no último sábado (8 de agosto), durante um encontro com mulheres em Itapetininga, interior de São Paulo, onde o senador fez referências à fé cristã e afirmou que, se eleito, pretende realizar uma oração antes do discurso de posse, entregando o país às mãos do Senhor Jesus. Em seu discurso, Flávio também afirmou que deseja trabalhar para resgatar almas e criticou a “crise moral generalizada” atribuída ao governo Lula, além de afirmar que “Deus está no comando”. Trechos dessas declarações foram posteriormente compartilhados com lideranças de igrejas.
A estratégia de aproximação de Flávio ocorre em um momento de atenção redobrada por parte de sua campanha, que monitora de perto os números de intenção de voto entre os evangélicos. Além de buscar maior conexão com esse segmento, a campanha também tenta consolidar sua imagem perante uma base que, historicamente, tem grande influência no cenário político brasileiro. Paralelamente, a campanha de Lula retomou estratégias de diálogo com igrejas e líderes religiosos, utilizando ações semelhantes às de 2022, quando enviou uma carta aos evangélicos com compromissos relacionados à liberdade religiosa e ao funcionamento das igrejas, buscando ampliar sua presença entre esse eleitorado. A disputa pela preferência dos fiéis, portanto, permanece acirrada, com ambos os lados intensificando seus esforços de aproximação e comunicação.








