Os novos advogados de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu na investigação que apura a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, apresentaram nesta terça-feira (11) argumentos contestando a alegação de que o empresário de 48 anos teria conhecimento de que seu disparo, efetuado em 11 de agosto de 2025, atingiu o trabalhador. A declaração foi feita durante a primeira manifestação do escritório que assumiu a defesa do réu na última semana, em uma data que marca exatamente um ano do falecimento de Laudemir.
Segundo o advogado Bruno Correa, a defesa possui elementos de prova que indicam que Renê não tinha consciência do resultado do disparo. Ele afirmou que, embora o empresário tenha manejado a arma e efetuado um disparo único, não há evidências de intenção de alvejar alguém. Correa destacou que, na avaliação do escritório, nunca houve intenção de homicídio por parte de Renê, enfatizando que o disparo foi um ato isolado sem a finalidade de atingir alguém, especialmente Laudemir. “O que de fato existe, e isso é incontroverso, é que houve o manejo da arma por parte do Renê, foi disparado uma vez, mas em nenhuma hipótese, e afirmo isso categoricamente, houve a intenção de alvejar alguém e buscar o resultado que infelizmente foi concretizado. Não tenho como dizer em homicídio. Nesse primeiro momento estou dizendo que nunca houve intenção do Renê em ceifar a vida de ninguém, sobretudo do Laudemir”, afirmou o advogado.
Durante a coletiva de imprensa, os advogados também questionaram a veracidade das versões apresentadas na denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, afirmando possuir provas de que os fatos narrados não condizem com a realidade. Correa declarou que há evidências suficientes de que a dinâmica descrita na denúncia não corresponde aos acontecimentos, reforçando que o réu não tinha intenção de causar a morte de Laudemir. “A gente tem prova suficiente de que a dinâmica narrada pelo Ministério Público de Minas Gerais não encontra respaldo. Nós temos certeza absoluta que os fatos não aconteceram dessa forma”, afirmou.
No entanto, o inquérito policial ao qual a reportagem teve acesso revela detalhes que indicam o contrário. As investigações apontam que, após efetuar o disparo contra Laudemir, Renê passou a acompanhar notícias sobre o caso, buscando informações na mídia local. Câmeras de segurança de um elevador registraram o empresário ampliando em seu celular uma imagem de um veículo com características semelhantes ao utilizado no crime, sugerindo que ele já monitorava as notícias relacionadas ao fato. Além disso, o documento indica que Renê solicitou, por comando de voz, que seu veículo sintonizasse a rádio Itatiaia, emissora reconhecida por divulgar notícias de repercussão na capital mineira.
O inquérito também aponta que Renê orientou sua esposa, a delegada de polícia Ana Paula Lamego Balbino, a não entregar o armamento utilizado no crime — uma pistola calibre .380 — às autoridades policiais, embora ela não tenha concordado com a orientação. Tal atitude sugere uma tentativa de obstrução das investigações, o que pode ter implicações na condução do processo criminal. A materialidade do delito foi confirmada por diversos laudos periciais, incluindo o necroscópio, levantamentos no local do crime, análise da arma de fogo, microcomparação balística, além de dados extraídos do aparelho celular do investigado e depoimentos relacionados à ameaça feita por Renê.
A matéria também destaca que esta é a quarta troca de advogado de Renê da Silva Nogueira Júnior desde o início do processo. Na última sexta-feira (7), os responsáveis pelo perfil do réu nas redes sociais anunciaram a saída do escritório liderado pelo advogado Bruno Silva Rodrigues, após o qual a defesa entrou na Justiça cobrando R$ 240 mil em honorários. Essa ação foi movida após Renê revogar o contrato de representação e retirar a procuração do escritório anterior. No sábado (8), o escritório Lima e Silva, Correa e Resende Neves Sociedade de Advogados assumiu oficialmente a defesa do réu em demandas cíveis e criminais relacionadas ao caso.
Além disso, dias após o crime, em 18 de agosto de 2025, a equipe de advogados formada por Leandro Guimarães Salles e Henrique Viana Pereira, do escritório Ariosvaldo Campos Pires Advogados, deixou o caso. Posteriormente, a Justiça recebeu uma procuração que nomeou Bruno Silva Rodrigues como novo responsável pela defesa de Renê. A Polícia Civil de Minas Gerais também indiciou o empresário por três crimes relacionados ao episódio, embora os detalhes específicos dos delitos não tenham sido divulgados nesta matéria.








