Um integrante da torcida organizada Máfia Azul foi condenado nesta quarta-feira (12 de agosto) a 67 anos de prisão pelo ataque a um ônibus de torcedores do Clube Atlético Mineiro, ocorrido em novembro de 2021, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. O julgamento, realizado pelo 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, resultou na condenação de Samuel Paixão de Souza por homicídio consumado triplamente qualificado, homicídio tentado triplamente qualificado e cinco homicídios tentados duplamente qualificados.
A sentença foi proferida após o processo de Samuel ser desmembrado dos demais réus, devido a um problema de saúde apresentado pelo defensor do acusado. Outros três integrantes da Máfia Azul já haviam sido julgados e condenados pelo mesmo caso em sessões ocorridas em 28 e 29 de julho. Os condenados anteriores foram Riquelme Enderson Ribeiro da Silva, que recebeu pena de 48 anos e seis meses de prisão pela morte de um torcedor rival e tentativa de homicídio de outras cinco vítimas; Luiz Gustavo da Silva Veloso, condenado a 24 anos pelo homicídio; e Pedro Henrique Coimbra Braga, com pena de 20 anos pela morte do torcedor. Apesar de responderem ao processo em liberdade, todos tiveram seus mandados de prisão expedidos ao final dos julgamentos.
O ataque ocorreu por volta das 20 horas do dia 28 de novembro de 2021, logo após uma partida entre Atlético Mineiro e Fluminense, válida pelo Campeonato Brasileiro. Segundo informações da denúncia, integrantes da Máfia Azul teriam armado uma emboscada contra um ônibus que transportava torcedores atleticanos na rua Desembargador Reis Alves, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. A Polícia Militar relatou que o coletivo, da linha 6350 (Estação Barreiro/Estação Vilarinho), foi interceptado por um Chevrolet Blazer ocupado pelos criminosos, que passaram a lançar pedras, foguetes, pedaços de pau e barras de ferro contra o veículo.
Conforme a denúncia, os suspeitos também bloquearam as portas do ônibus, impedindo a saída dos passageiros, incluindo aqueles que não eram integrantes de torcidas organizadas. O ataque resultou na morte de Mateus de Freitas Ferreira, que foi socorrido em estado grave ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, mas não resistiu aos ferimentos. Outras nove pessoas, com idades entre 19 e 50 anos, também ficaram feridas e tiveram que ser encaminhadas para unidades de saúde próximas.
O episódio ficou marcado pela violência do confronto entre integrantes de torcidas organizadas, gerando uma série de ações judiciais contra os envolvidos. A gravidade do caso e as condenações refletem o esforço das autoridades em combater a violência relacionada às disputas entre torcidas, que frequentemente resultam em episódios de extrema agressividade e tragédias. A sentença de Samuel Paixão de Souza reforça o entendimento de que atos de violência com consequências fatais serão punidos severamente pela Justiça.









