Nos últimos dias, o cenário político em Minas Gerais tem sido marcado por sinais de desgaste e conflitos internos envolvendo candidatos e lideranças de diferentes partidos. Pouco mais de uma semana após o anúncio da candidatura de Cleitinho ao Governo do Estado e do apoio ao nome de Marcelo Aro (PP) para o Senado, o Republicanos, partido ao qual Cleitinho é filiado, demonstra sinais de distanciamento do ex-secretário de Romeu Zema (Novo). Essa mudança de postura ficou evidente na terça-feira (18), quando Luís Eduardo Falcão, vice na chapa de Cleitinho e coordenador da campanha, afirmou em entrevista exclusiva à Itatiaia que as candidaturas seguirão com “distanciamento e independência”.
Falcão reforçou que não há um rompimento formal e destacou que o Republicanos mantém uma chapa própria, enquanto Marcelo Aro é candidato ao Senado pelo Progressistas, partido que integra a federação com o União Brasil. Este, por sua vez, apoia a reeleição do governador Mateus Simões (PSD). Apesar da tentativa de Falcão de minimizar as tensões, integrantes do partido relatam que o clima interno é tenso, com uma insatisfação crescente entre correligionários e familiares de Cleitinho com a aliança, mesmo que de forma informal. Fontes de dentro do Republicanos chegaram a afirmar à Itatiaia que a situação se tornou “insustentável”, indicando um mal-estar que vai além de simples divergências políticas.
Este conflito não é novidade no relacionamento entre Cleitinho e Marcelo Aro. As desavenças entre eles vêm de eleições anteriores e também envolvem diferenças na relação com outros integrantes da chapa. A relação entre Aro e o ex-deputado, que também foi presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), é marcada por antagonismos históricos. Durante a eleição, Aro apoiou Marcus Vinicius Bizarro, ex-prefeito de Coronel Fabriciano, enquanto Cleitinho tinha posições distintas. A tensão se agravou quando Marcelo Aro se colocou como candidato à vice na chapa de Cleitinho, aumentando o atrito entre ambos.
A situação atingiu um ponto crítico na noite que antecedeu a oficialização das candidaturas, quando o presidente do Republicanos, Euclydes Pettersen, protagonizou uma cena de agressão física na casa de Cleitinho, em Brasília. Segundo testemunhas, Pettersen, que havia apoiado a candidatura de Aro ao Senado após uma gravação em que Cleitinho desistia de sua própria candidatura, teria sido provocado ao cobrar o cumprimento de um acordo verbal. O entendimento era que Aro seria o cabeça de chapa caso Cleitinho desistisse, mas a situação se complicou quando Pettersen reagiu com um tapa no rosto de Marcelo Aro. Os envolvidos não se pronunciaram oficialmente sobre o episódio.
Antes dessa confusão, havia uma tentativa de estabelecer uma aliança formal entre Aro e Pettersen, envolvendo negociações para uma federação entre União Brasil e Progressistas, com possibilidades de Aro disputar o governo ou o Senado, ou até mesmo atuar como vice na chapa de Cleitinho. Durante essas conversas, Marcelo Aro também manteve contatos com Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos. Essas negociações ocorreram em um momento em que Aro já tinha conversado com Pereira, e a estratégia visava ampliar as possibilidades de candidatura e fortalecer alianças.
A decisão de Cleitinho de desistir de sua candidatura ao governo, motivada em parte pela morte do irmão e por pressões internas, foi um momento decisivo nesse processo. Após a gravação do vídeo em que anunciava sua desistência, o ex-deputado mudou de ideia e buscou uma nova oportunidade na convenção nacional do partido, conseguindo convencer o presidente Marcos Pereira a apoiá-lo como candidato. Essa reviravolta ocorreu após uma série de negociações que envolveram diversos líderes e representantes partidários, incluindo Pettersen, Falcão, Rueda e um pastor cujo nome não foi divulgado.
O cenário revela uma complexa trama de interesses, alianças fragmentadas e conflitos pessoais que têm impactado o processo eleitoral em Minas Gerais, refletindo a instabilidade e as disputas internas que permeiam as estratégias de candidaturas na região.








