O sonho do tricampeonato da Libertadores terá que ser adiado pelo Cruzeiro. O time celeste foi eliminado do torneio na noite desta quarta-feira (19), após derrota por 2 a 1 para o Flamengo no Maracanã, pela volta das oitavas de final do torneio. O time celeste agora volta suas forças para o Campeonato Brasileiro e para a Copa do Brasil.
O primeiro tempo da Raposa foi simplesmente irreconhecível. Após os dois times se estudarem um pouco nos primeiros cinco minutos, o Flamengo ativou o ‘modo abafa’, como esperado. Empurrado por um Maracanã lotado, tendo inclusive o maior público da temporada – 72.481 – o time rubro-negro prensou o Cruzeiro no campo de defesa, investindo em jogadas de velocidade pelos lados do campo e também pelo meio, com Jorginho sempre chegando à frente e coordenando as ações.
O Cruzeiro parecia nervoso em campo. Errava passes básicos na saída de bola, fornecendo chegadas perigosas aos donos da casa – que só não abriram o placar porque Otávio, de contrato recém-renovado com o time estrelado, apareceu bem com defesas importantes. Os diversos erros, somados à forte marcação-pressão do Flamengo, impediam a Raposa de ao menos chegar perto da área de Rossi.
Outro fator que complicou a vida da Raposa foi a noite abaixo tecnicamente de praticamente todo o time celeste. Principalmente no meio de campo, Gerson e Matheus Pereira estavam apagados em campo, errando passes e decisões, além de uma lentidão na tomada de decisões que o jogo não permitia.
O espaçamento entre os jogadores estrelados, em todos os setores do campo, em campo, somado à falta de combatividade nas disputas de bola, também atrapalhou, tanto ofensivamente quanto na marcação. Os buracos deixados foram um prato cheio para o Flamengo trocar passes rápidos, tanto pelas laterais quanto pelo centro. Foi aí, inclusive, que nasceram os gols da classificação rubro-negra.
Nos dois tentos – de Arrascaeta aos 34 minutos da etapa inicial e de Samuel Lino aos 16 do segundo tempo -, o centroavante flamenguista teve total liberdade para dar um leve toque e deixar os dois companheiros cara a cara com Otávio, que nada pôde fazer nestes lances.
Claro, a postura mudou na etapa final, com o Cruzeiro subindo mais suas linhas de marcação e incomodando a saída de bola do Flamengo. O resultado veio rápido, aos cinco minutos, com Lucas Romero, suspenso no jogo de ida, acertando uma bomba de fora da área, no canto direito de Rossi. Algo que o time estrelado não havia feito na etapa inicial, finalizar. Prova de que a postura mostrada no primeiro tempo foi incompreensível.
Até jogadas de velocidade, inexistentes na primeira metade do jogo, começaram a surgir, com Kaio Jorge quase marcando na etapa final. Mas o segundo tento flamenguista foi um balde de água fria para Raposa. O Cruzeiro sentiu o gol, que também incendiou novamente o Maracanã e tranquilizou o Flamengo, que até então estava nas cordas e passou a controlar o jogo com posse de bola e, por vezes, investir em transições para tentar matar o jogo.
Erros na saída de bola voltaram a acontecer, travando uma reação do time celeste. Artur Jorge, que até demorou a mexer na equipe, tentou dar gás ofensivo ao time, mas as peças novas (duas delas Lucho Rodríguez e João Costa) foram incapazes de provocar desequilíbrios na defesa flamenguista. O último suspiro nos minutos finais foi insuficiente para o Cruzeiro reverter uma eliminação que, principalmente pelo primeiro tempo da equipe, foi merecida.
O Cruzeiro pagou caro pelo primeiro tempo simplesmente apático no Maracanã. Não competiu, não subiu linhas, não foi agressivo na marcação e menos ainda com a bola nos pés. Aceitou demais a pressão adversária.
O segundo tempo mostrou que o time celeste poderia ter conseguido a classificação. A equipe jogou como sempre joga com o técnico Artur Jorge. Mas acabou sucumbindo à superioridade técnica do Flamengo.







