As ações da Unitree, empresa chinesa responsável pelo desenvolvimento do robô humanoide conhecido como “Superman”, registraram uma forte valorização nesta quarta-feira (19), em sua estreia na Bolsa de Valores de Xangai. O robô, que consegue atingir velocidades de até 12,66 metros por segundo — cerca de 45,8 km/h — e saltar alturas de até 2 metros, despertou grande interesse do mercado, refletido no aumento expressivo do valor de suas ações.
A valorização das ações da companhia chegou a 629% no início do pregão, atingindo aproximadamente 1.100 yuans (quase 160 dólares ou 834 reais), em comparação ao preço de oferta inicial de 150,80 yuans. Ao longo do dia, o valor recuou, mas ainda assim fechou com alta de 460%, ao atingir 845 yuans (cerca de 125 dólares ou 643 reais). Este movimento de alta demonstra a força do setor de robótica na China, que vem se consolidando como uma das principais frentes de inovação tecnológica no país.
A estreia na Bolsa de Xangai coincidiu com a realização da Conferência Mundial de Robótica, realizada em Pequim, onde o estande da Unitree recebeu ampla atenção de visitantes e jornalistas. Entre os destaques do evento, estavam um robô gigante de três metros de altura, o Unitree GD01, capaz de alternar entre os modos bípede e quadrúpede, e robôs humanoides menores, incluindo um que, ao lado de um funcionário da empresa, tentava devolver saques de pingue-pongue — embora ainda não consiga pegar a bola, segundo a própria companhia. Além disso, uma série de oito robôs dançavam ao som de uma música pop chinesa dos anos 1990, demonstrando a versatilidade dos produtos.
Apesar do avanço, especialistas destacam que o uso comercial de robôs humanoides ainda é bastante limitado, sendo mais comum em atividades de pesquisa ou exibição. A criação de máquinas capazes de reagir de forma autônoma e adaptativa às complexidades do ambiente real, considerada o “santo graal” do setor, permanece como um desafio técnico de grande magnitude. Zhu Tianle, engenheiro da primeira escola de robótica da China, em Hangzhou, afirmou que “treinar o ‘cérebro’ dos robôs é uma tarefa muito difícil” e que, apesar dos avanços técnicos, fazer com que eles compreendam o mundo continua sendo um obstáculo global.
Para o analista Kangyuxiao Li, da Morningstar, o foco do setor agora deve estar na capacidade de os robôs executarem atividades úteis do ponto de vista econômico, e não apenas em demonstrações de mobilidade. Os produtos da Unitree, por sua vez, são utilizados por acadêmicos chineses e por gigantes tecnológicos internacionais, como Nvidia, Google e Amazon, que têm interesse na tecnologia de robótica avançada.
A entrada da Unitree no mercado STAR da Bolsa de Xangai, voltado para empresas de tecnologia, marca uma etapa importante na estratégia de expansão da companhia. Outras empresas chinesas, como a UBTech, também abriram capital em Hong Kong, destacando-se com o lançamento de robôs humanoides ultrarrealistas, como o “U1”, voltado para produção em massa.
O governo chinês tem considerado a robótica uma indústria estratégica, com mais de 140 empresas lançando mais de 330 modelos de robôs humanoides até o ano passado. O setor se tornou uma nova arena na disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, especialmente após a inclusão da Unitree e de outros fabricantes em listas de restrição de exportação e importação. Em junho, Washington acusou a empresa de apoiar o Exército chinês, e, no mês seguinte, robôs humanoides e quadrúpedes de origem chinesa foram adicionados a uma lista de produtos cuja entrada nos Estados Unidos é proibida por motivos de segurança nacional.









