A prática da amamentação, frequentemente associada aos benefícios para o desenvolvimento do bebê, também oferece vantagens significativas para a saúde física e emocional da mulher, estendendo-se do período pós-parto até fases posteriores da vida. Além de facilitar a recuperação do organismo materno, a amamentação está relacionada à redução do risco de diversas doenças e pode fortalecer o vínculo afetivo entre mãe e filho.
De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, o aleitamento materno deve ser exclusivo nos primeiros seis meses de vida do bebê, com a continuidade até os dois anos ou mais, após a introdução de outros alimentos. Para as mulheres, os benefícios incluem menor risco de hemorragia pós-parto, além de uma diminuição nas chances de desenvolver câncer de mama, ovário e colo do útero. Durante o puerpério, a amamentação auxilia na recuperação do útero, ajudando-o a retornar ao tamanho anterior à gestação e contribuindo para a redução do sangramento, o que também diminui o risco de anemia. Além disso, a produção de leite demanda energia, mobilizando reservas acumuladas na gravidez, o que pode facilitar a perda de peso pós-parto.
Segundo o ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, dois hormônios desempenham papel fundamental nesse processo: a prolactina, responsável por estimular a produção de leite, e a ocitocina, que promove a ejeção do leite e atua nas contrações uterinas. Kulak explica que a prolactina também favorece um estado de maior tranquilidade materna, enquanto a ocitocina está relacionada ao relaxamento, à redução do estresse e ao fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho.
Estudos epidemiológicos indicam que o tempo total de aleitamento ao longo da vida está associado a uma menor incidência de câncer de mama e ovário. Essa relação está relacionada à redução do número de ciclos ovulatórios durante a lactação, o que diminui a exposição contínua ao estrogênio nos tecidos mamários e ovarianos, além de alterações nas células mamárias relacionadas à produção de leite. Kulak destaca que os benefícios são dose-dependentes: períodos mais longos de amamentação, somados ao longo da vida reprodutiva, tendem a oferecer maior proteção contra essas doenças.
A amamentação também está vinculada à redução do risco de desenvolver condições como diabetes tipo 2, síndrome metabólica, hipertensão e doenças cardiovasculares. Durante a lactação, o organismo mobiliza gordura corporal e passa por mudanças no metabolismo da glicose e dos lipídios, incluindo uma melhora na sensibilidade à insulina. Mesmo períodos curtos de amamentação podem trazer benefícios à saúde materna, sendo importante que a duração seja avaliada de acordo com as condições individuais de cada mulher, sem estabelecer metas rígidas ou gerar pressões.
No aspecto emocional, os momentos de contato durante a amamentação podem contribuir para o fortalecimento do vínculo afetivo, além de aumentar a confiança da mãe na maternidade. A psicóloga Bianca Berlim Zambon, de São Paulo, ressalta que o vínculo entre mãe e bebê é construído por diversas formas de cuidado, como presença, contato físico e olhares, sendo a amamentação uma experiência que favorece a sensação de segurança e acolhimento do bebê.
Entretanto, a experiência de amamentar nem sempre é positiva. Dores, fissuras, dificuldades na pega, baixa produção de leite, cansaço ou pressões externas podem gerar ansiedade, frustração e sensação de incapacidade. Por isso, o acompanhamento profissional e uma rede de apoio são essenciais para superar esses obstáculos. Bianca Zambon destaca que a amamentação por si só não garante uma experiência materna positiva, uma vez que o puerpério envolve mudanças hormonais, privação de sono e adaptações na rotina. Assim, o suporte emocional e psicológico também é fundamental.
Nem todas as mulheres conseguem ou desejam amamentar, seja por questões clínicas, dificuldades na produção de leite, rotina profissional ou escolhas pessoais. Dessa forma, os benefícios da amamentação não devem ser utilizados como medida de avaliação da capacidade materna. Uma mãe que opta por não amamentar pode oferecer ao bebê outros cuidados essenciais, como colo, olhar, toque, segurança e amor, que também promovem um desenvolvimento saudável. Quando a mulher se sente apoiada e acolhida emocionalmente, ela consegue cuidar melhor do seu filho, reforçando a importância de respeitar seus limites e decisões.








