Um gato da raça Maine Coon, nascido em Illinois, nos Estados Unidos, estabeleceu um novo recorde mundial ao possuir 29 dedos, o maior número já registrado em um felino, de acordo com o Guinness World Records. O animal, cujo nome é Erebus Anomaly, chamou atenção pela quantidade de dedos extras, resultado de uma condição genética conhecida como polidactilia.
Erebus Anomaly recebeu esse nome por fazer referência ao deus da escuridão na mitologia grega, uma escolha que provavelmente remete à sua coloração preta, característica visível na foto disponível. O termo “Anomaly” (anomalia) faz alusão à alteração genética responsável pelos dedos adicionais. A polidactilia, que causa a formação de dedos extras, é relativamente comum em gatos, especialmente na raça Maine Coon. Normalmente, esses felinos domésticos possuem 18 dedos — cinco em cada pata dianteira e quatro em cada traseira —, mas gatos polidáctilos frequentemente apresentam 19 ou mais dedos.
No caso de Erebus, a condição foi levada ao extremo, com o animal apresentando 29 dedos. Os responsáveis pelo criadouro Blue Northern Maine Coons, Kendra e Hunter, perceberam os dedos extras logo após o nascimento do filhote e suspeitaram que ele poderia estabelecer um recorde mundial. Após passar por uma avaliação do Guinness, Erebus foi oficialmente reconhecido como o gato com o maior número de dedos já documentado na história.
O recorde anterior pertencia a Jake, um gato canadense nascido em 2002, que possuía 28 dedos. Ainda neste ano, Toby, de Michigan, também ganhou destaque por possuir 28 dedos, reforçando a raridade da condição.
Em relação à saúde, a polidactilia, na maioria dos casos, não representa riscos graves. Contudo, gatos com dedos extras devem ser acompanhados por veterinários para monitorar possíveis complicações, como a hipoplasia radial, uma condição que afeta o crescimento do osso rádio, podendo causar deformidades nas patas. Além disso, as unhas dos dedos extras, especialmente quando localizadas na posição semelhante ao polegar, podem crescer excessivamente, causando desconforto, machucando o animal ou ficando presas em tecidos. Para evitar esses problemas, recomenda-se a instalação de arranhadores em diferentes pontos da casa e, quando necessário, o corte das unhas sob orientação veterinária.
Regiões como o oeste da Inglaterra, País de Gales, Canadá e leste dos Estados Unidos apresentam maior incidência de gatos polidáctilos. Acredita-se que essa característica tenha sido disseminada por gatos transportados em navios durante o período de navegação transatlântica, quando cruzaram o oceano e acasalavam com gatos não polidáctilos, perpetuando a mutação genética. Historicamente, os gatos com dedos extras também eram considerados símbolos de boa sorte, especialmente entre marinheiros.
A popularidade desses felinos foi reforçada pelo romancista americano Ernest Hemingway, que desenvolveu uma forte ligação com gatos polidáctilos após receber um gato branco chamado Bola de Neve de um capitão de navio. Após sua morte, em 1961, a residência de Hemingway, localizada em Key West, na Flórida, foi transformada em museu e abriga atualmente uma colônia de gatos, aproximadamente metade dos quais possuem a condição de polidactilia, herdada de seus ancestrais.
Imagens de Erebus Anomaly, o gato com 29 dedos, ilustram a singularidade do animal, cujo caso reforça o interesse pela genética e pela história dos gatos polidáctilos.






