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Home Minas Gerais

Morte por difteria na Itália reacende debate sobre vacinação e imunização no Brasil

28/08/2026
Em Minas Gerais
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Uma menina italiana de apenas quatro anos, Anna Rosa Bartolotta, faleceu na última semana vítima de difteria, uma doença que, na Itália, não apresentava casos documentados há quase três décadas. A doença, que foi controlada com a implementação de vacinação obrigatória, voltou a ganhar destaque após os pais da criança optarem por não imunizá-la, acreditando que o imunizante estaria relacionado a um caso de autismo na família. A tragédia gerou comoção na Itália e chamou atenção internacional para a importância da vacinação.

A situação se agravou ainda mais com o teste positivo de um primo de Anna Rosa, que já havia iniciado o ciclo vacinal contra a difteria, e que se recupera bem. Os pais da menina estão sendo investigados por homicídio culposo, uma vez que a morte ocorreu por omissão de cuidados essenciais, sem intenção de causar o óbito. Este caso evidencia os riscos de não seguir o calendário vacinal recomendado, especialmente em uma doença considerada controlada na Europa.

A difteria, causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, é uma doença infecciosa que, embora considerada endêmica e controlada em países como o Brasil, ainda apresenta registros anuais de casos, embora em números reduzidos. No Brasil, por exemplo, o Ministério da Saúde confirma poucos casos por ano, com apenas dois registros em 2026, além de cinco óbitos desde 2014. A doença apresenta sintomas que podem passar despercebidos ou serem confundidos com outras infecções, dificultando o diagnóstico precoce. Entre os sinais, destacam-se prostração, palidez, dor de garganta e a formação de pseudomembranas esbranquiçadas ou amareladas na garganta, que produzem toxinas capazes de comprometer o estado geral do paciente.

Segundo a infectologista Valeria Paes, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, a formação dessas pseudomembranas é uma característica distintiva da difteria. Em casos mais graves, podem ocorrer edemas no pescoço, aumento dos gânglios linfáticos e complicações como miocardite, neurite ou nefropatia tóxica, que pode levar à insuficiência renal. A mortalidade, embora rara devido ao avanço das vacinas, ainda é uma possibilidade, como demonstrado pelo caso italiano.

A vacina contra a difteria foi desenvolvida em 1923 e faz parte da vacina pentavalente, que é administrada inicialmente aos dois meses de idade. O esquema de imunização inclui reforços aos quatro, seis e 15 meses, além de uma dose de reforço aos quatro anos. Na vida adulta, recomenda-se a aplicação de reforços a cada dez anos para manter a imunidade. A importância de seguir o calendário vacinal completo é ressaltada por especialistas, uma vez que a proteção depende do cumprimento de todas as doses.

O pediatra Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que, embora a incidência de casos de difteria seja muito baixa graças à ampla cobertura vacinal, o risco de retorno da doença permanece caso as taxas de imunização caiam. Em 2025, a cobertura vacinal para a primeira dose da pentavalente foi de 89%, enquanto o primeiro reforço, com a tríplice bacteriana, atingiu 87%. A vacinação aos quatro anos teve uma cobertura de 80%, números que caíram ainda mais em 2026. A vacina contra a tetano e a difteria para gestantes apresenta atualmente uma cobertura de aproximadamente 82%, sendo necessário ampliar esse índice para alcançar a meta de 95%.

Este episódio na Itália reforça a importância de manter as coberturas vacinais elevadas para garantir a proteção coletiva contra doenças que, embora controladas, ainda representam risco de retorno. A experiência brasileira demonstra que a vacinação é uma ferramenta eficaz na prevenção, mas exige compromisso contínuo para evitar retrocessos na saúde pública.

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