O governo do Nepal decidiu não aceitar assistência estrangeira para as operações de busca e resgate após a severa enchente que atingiu diversas regiões do país na última quarta-feira, dia 26. Apesar das ofertas de ajuda de múltiplos países, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal afirmou nesta sexta-feira, dia 28, que está conduzindo os esforços de forma autônoma, sem a necessidade de apoio externo no momento.
A enchente, considerada uma das mais devastadoras dos últimos anos, causou destruição significativa em áreas como o distrito de Rasuwa, localizado próximo à fronteira com a China. A região foi severamente afetada, com cidades inteiras destruídas e usinas hidrelétricas danificadas, agravando ainda mais o impacto do desastre. Até o momento, as autoridades confirmaram a morte de pelo menos 579 pessoas, número que pode aumentar à medida que as operações de resgate continuam.
Além do número de vítimas fatais, o desastre deixou centenas de estrangeiros desaparecidos, incluindo cidadãos da Coreia do Sul. O país asiático informou que já enviou uma equipe de resposta ao Nepal e planeja enviar uma equipe de ajuda humanitária para auxiliar nas operações de resgate. No entanto, o governo nepaleses reiterou que está gerenciando sozinho as ações de busca, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lok Bahadur Chhetri, afirmando que, por ora, não há necessidade de ajuda internacional.
Segundo informações do jornal Kathmandu Post, várias nações, incluindo Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh, solicitaram ao governo nepaleses a permissão para enviar equipes de busca e resgate. Contudo, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal declarou que, até o momento, não há planos de aceitar essas ofertas, reforçando que as operações estão sendo conduzidas pelas próprias equipes de resgate do país.
A justificativa oficial para a recusa não estaria relacionada a questões diplomáticas ou sensibilidade territorial, especialmente considerando a localização do distrito de Rasuwa, que faz fronteira com o Tibete chinês. Dinesh Bhattarai, ex-embaixador do Nepal na ONU, sugeriu que a decisão pode estar relacionada à delicada relação do Nepal com a China, uma vez que a região atingida é uma área sensível por questões territoriais. Bhattarai destacou que o Nepal pode ter optado por não aceitar equipes estrangeiras devido à sensibilidade da região, embora o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Chhetri, tenha afirmado que a decisão foi motivada pelo fato de as próprias equipes nepalesas estarem conduzindo as operações.
Enquanto isso, a China mantém sua postura de apoio ao Nepal. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, visitou a área de Gyirong, atingida pelo desastre, na tarde de quinta-feira, dia 27, conforme informou a agência estatal Xinhua. Li Qiang destacou que, enquanto houver esperança, todos os esforços devem ser empregados na busca por sobreviventes e na assistência às vítimas. Ele também orientou as equipes de resgate a intensificarem a coordenação e comunicação com as autoridades estrangeiras, especialmente em questões envolvendo cidadãos estrangeiros ou partes externas ao país.
Até o momento, o governo chinês não se pronunciou oficialmente sobre o motivo pelo qual o Nepal recusou a ajuda de equipes internacionais de busca e resgate, embora a mídia estatal tenha divulgado que o presidente chinês, Xi Jinping, enviou condolências ao presidente do Nepal nesta sexta-feira, dia 28. As ações diplomáticas e humanitárias continuam em andamento, enquanto o país enfrenta os desafios de uma das maiores tragédias ambientais de sua história recente.








