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Pegadas de mamífero de grande porte do período dos dinossauros são descobertas na Formação Botucatu, interior de São Paulo

28/08/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Pesquisadores identificaram pegadas na Formação Botucatu, localizada no interior de São Paulo, que indicam a presença de mamíferos de tamanho surpreendente durante a era dos dinossauros, há aproximadamente 130 milhões de anos. Essas marcas, que chegam a 11,4 centímetros de comprimento e 13,4 centímetros de largura, sugerem que esses mamíferos poderiam ter atingido cerca de 1,55 metro de comprimento, um tamanho consideravelmente maior do que o esperado para esses animais no período Mesozoico. A descoberta desafia a visão tradicional de que os mamíferos pré-extinção dos dinossauros eram exclusivamente pequenos e discretos, semelhantes a musaranhos ou esquilos atuais. Pelas características das pegadas, os pesquisadores estimam que o animal poderia ter tido porte semelhante ao de um cão grande ou até de um puma.

O estudo, conduzido por equipes das universidades do Estado de Minas Gerais (UEMG), Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Centro Universitário SATC (UniSATC) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi publicado em 1º de agosto no Journal of South American Earth Sciences. As evidências principais estão no formato das pegadas, que diferem claramente de marcas atribuídas a dinossauros ou crocodilos, sendo mais semelhantes a pegadas ampliadas de mamíferos. Ainda que não seja possível determinar a espécie exata responsável pelos vestígios, os pesquisadores afirmam que elas se assemelham a pegadas de mamíferos e que a distância entre elas, de aproximadamente 40 centímetros, permitiu estimar as dimensões do animal.

Provisoriamente, os vestígios foram classificados na família Chelichnopodidae, grupo definido com base em pegadas de mamíferos, embora os autores tenham evitado atribuí-las a uma espécie específica. A descoberta também traz uma nova perspectiva sobre a vida na era dos dinossauros, uma vez que, por muito tempo, acreditou-se que os mamíferos daquele período eram animais de pequeno porte, que ocupavam nichos ecológicos secundários e evitavam predadores maiores. No entanto, há evidências de que alguns mamíferos poderiam ter caçado dinossauros, embora os exemplos conhecidos sejam de animais menores. Assim, a nova descoberta sugere que mamíferos de maior porte já poderiam ter desempenhado papéis mais relevantes na cadeia alimentar daquele período.

Embora as pegadas forneçam informações sobre o tamanho, formato e locomoção do animal, elas não revelam detalhes sobre sua dieta ou características anatômicas, como o formato do crânio ou dentes. Além disso, as condições de preservação na Formação Botucatu podem ter simplificado as marcas, dificultando a identificação de detalhes mais finos da anatomia do animal. Hermínio Ismael de Araújo-Júnior, um dos autores do estudo, destaca que a ausência de fósseis corporais de mamíferos do Jurássico e do Cretáceo Inferior no Brasil torna essas pegadas particularmente importantes para o entendimento da história evolutiva desses animais. Segundo ele, a formação desértica da região pode ter contribuído para a preservação das pegadas, enquanto dificultou a conservação de ossos e esqueletos.

A descoberta também levanta a possibilidade de que grandes mamíferos do período Mesozoico possam já ter sido encontrados, mas interpretados erroneamente devido à sua aparência fragmentária ou ao tamanho das pegadas. Por ora, o animal responsável pelas marcas permanece sem nome ou registro fóssil conhecido, mas as pegadas na rocha da Formação Botucatu evidenciam que, entre os gigantes que dominavam os ecossistemas do passado, existiam mamíferos de dimensões muito superiores às que se imaginava até então. Essa revelação pode alterar a compreensão sobre a diversidade e o papel dos mamíferos na história evolutiva durante a era dos dinossauros.

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