A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) decidiu suspender temporariamente as atividades presenciais no campus de João Monlevade após um estudante do local ameaçar alunos, professores e o diretor da instituição. A medida foi tomada na quinta-feira, 27 de outubro, em decorrência de ações do estudante que, mesmo sob medidas cautelares, descumpriu ordens judiciais e foi preso pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). A decisão visa garantir a segurança da comunidade acadêmica diante do agravamento das ameaças, que se intensificaram após sua suspensão administrativa.
Segundo informações divulgadas nas redes sociais da universidade, o estudante, que já havia sido preso anteriormente, voltou a ameaçar colegas, professores e o diretor do campus. O diretor da UFOP em João Monlevade, Wagner Ragi Curi Filho, explicou em vídeo que o aluno possui uma medida cautelar que o impede de ingressar no campus, mas que ele insiste em tentar entrar, representando um risco à segurança de todos. A suspensão das aulas foi uma medida adotada após a constatação de que as ameaças, incluindo áudios com discursos de ódio e ameaças de morte, continuaram mesmo após ações disciplinares internas.
Alunos da instituição relataram que o estudante tinha sido confrontado por colegas acerca de falas de ódio, incluindo ataques racistas, o que teria motivado suas ameaças subsequentes. Uma estudante, que preferiu não se identificar por segurança, afirmou que, após as ações corretivas, o estudante passou a ameaçar, principalmente uma aluna do Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (ICEA), além do próprio diretor do instituto. A universidade confirmou que as ameaças tiveram início no primeiro semestre de 2023, e que, diante da gravidade da situação, aplicou uma medida administrativa que o proibiu de participar das atividades presenciais e de frequentar os espaços do campus.
A situação se agravou após a suspensão do estudante, com relatos de que ele passou a intensificar as ameaças, incluindo áudios com conteúdo de assassinato e feminicídio. Em uma ação que culminou na sua prisão, o estudante foi até o campus, aparentemente insatisfeito com sua suspensão, e proferiu ameaças contra funcionários, o diretor e o reitor da UFOP. Durante a abordagem policial, ele resistiu à prisão, desobedeceu a ordens de busca pessoal e apresentou comportamento alterado, reiterando as ameaças de morte. Segundo o processo judicial, já havia registros anteriores de ameaças e perseguições atribuídas ao estudante no ambiente universitário.
A prisão em flagrante ocorreu após sua resistência à ação policial, que precisou utilizar técnicas moderadas e algemas para contê-lo. Em 14 de agosto, a juíza Anna Carolina Goulart Martins Silva, da Vara Criminal da Comarca de João Monlevade, homologou a prisão, concedendo liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares. Nessa quinta-feira, a Polícia Militar de Minas Gerais prendeu o estudante novamente por descumprimento de medida protetiva de urgência, reforçando a gravidade da situação.
A universidade comunicou que, diante do risco à comunidade, a suspensão temporária das atividades presenciais foi a medida mais adequada neste momento. A instituição também informou que aguarda orientações das autoridades judiciais sobre a continuidade ou não das atividades remotas, que dependem de deliberação do Conselho Universitário (Cuni). A direção do campus de João Monlevade reforçou que as ações visam garantir a segurança e o bem-estar de todos, lamentando os transtornos causados pela decisão.
O Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (ICEA), unidade da UFOP, confirmou a suspensão das atividades acadêmicas na última quinta-feira, destacando que a medida foi adotada preventivamente devido às ameaças feitas pelo estudante. A instituição reforçou que as ações disciplinares e judiciais estão em andamento, e que a segurança da comunidade acadêmica permanece como prioridade. Até o momento, não há previsão de retomada das aulas presenciais ou de atividades remotas, que dependerão de análises futuras e decisões do órgão colegiado da universidade.









