A coligação que apoia a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, e seu companheiro de chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar. A denúncia solicita a cassação do registro de candidatura da chapa e a declaração de inelegibilidade de ambos por um período de oito anos, sob a alegação de que teriam realizado um “showmício disfarçado” durante a Festa do Peão de Barretos, realizada na cidade de São Paulo.
A iniciativa judicial está sob a relatoria do ministro corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Antonio Carlos Ferreira. Segundo a denúncia, durante o intervalo de uma das apresentações na 71ª edição do evento, ocorrido no último dia 22 de agosto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que disputa a reeleição pelo Republicanos, subiu ao palco para discursar. No seu pronunciamento, Tarcísio convidou Flávio Bolsonaro, a quem se referiu como “herdeiro” do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o chamou para uma participação no evento.
Durante a sua fala, Flávio Bolsonaro fez um aceno ao setor do agronegócio e também ao seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Ele afirmou que retornaria ao evento como presidente ao lado de Bolsonaro, reforçando uma possível intenção de campanha no local. A coligação que apoia Lula sustenta que essa manifestação não teria sido um ato espontâneo, mas sim uma ação coordenada e planejada previamente com a estrutura do festival, considerado um dos maiores da América Latina.
De acordo com a peça jurídica apresentada ao TSE, o locutor oficial da festa, conhecido como Cuiabano Lima, realizou um show de luzes projetadas nas cores da bandeira nacional, enquanto solicitava que o público acendesse lanternas e repetisse o nome de Flávio Bolsonaro. Além disso, a apresentação foi encerrada com uma paródia musical de funk contendo letras relacionadas à família Bolsonaro, o que, na visão da campanha petista, teria surpreendido os espectadores que adquiriram ingressos para os shows musicais, configurando, assim, um possível uso político dissimulado.
A denúncia também aponta que, devido à proibição de doações de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Bolsonaro teria utilizado a estrutura milionária do festival, financiada por terceiros, para obter visibilidade publicitária de forma desproporcional, sem precisar de recursos próprios. A campanha de Lula reforça que os candidatos do PL deverão ser notificados pelo TSE para apresentarem suas defesas preliminares no prazo legal estabelecido.
Este episódio evidencia as tentativas de uso de eventos públicos de grande porte com fins políticos, além de reforçar o foco do tribunal em coibir práticas que possam configurar abuso de poder ou desequilíbrio na disputa eleitoral. A ação tramita sob avaliação do ministro Antonio Carlos Ferreira, que deverá decidir sobre o pedido de inelegibilidade e cassação do registro de candidatura da chapa Bolsonaro-Gaspar.









