A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Fecomércio MG lançaram uma campanha nacional contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, o setor produtivo tenta sensibilizar os senadores sobre os riscos de uma mudança constitucional rígida em meio a um cenário de fragilidade econômica.
A campanha ocorre em um momento em que a economia brasileira enfrenta juros altos, crédito caro, endividamento recorde das famílias, inadimplência sem precedentes entre empresas e desinvestimento. O setor também avalia o fim da Taxa das Blusinhas como um agravante para a concorrência desleal no varejo nacional, somando-se ao pacote de aprovações em um período sensível, no qual interesses políticos se sobrepõem a escolhas econômicas.
Segundo a CNC, impor uma elevação abrupta nos custos operacionais – num setor em que mais de 90% da mão de obra atua no regime 6×1 – significará repassar esse peso ao consumidor final em forma de inflação, além de gerar retração de vagas e aumento da informalidade. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defende que a decisão exige análise técnica e diálogo: “Votarmos esta alteração constitucional drástica, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais.”
A entidade apela aos senadores para que a readequação de jornadas ocorra via convenções coletivas de trabalho, respeitando a soberania das negociações entre trabalhadores e empregadores, como previsto na Constituição desde a reforma trabalhista de 2017. O setor defende que temas como este e a taxação de importações diretas geram efeitos a curto, médio e longo prazo que exigem um debate mais amplo e sem a pressa dos prazos eleitorais.








