O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais, realizou uma agenda de campanha neste domingo (30) na cidade de Buritizeiro, localizada na região Norte do estado. Durante o evento, o parlamentar afirmou que há uma situação de “terrorismo” relacionada às discussões sobre as contas públicas estaduais e federais. Ele sugeriu que a distribuição dos recursos enviados pela União aos estados precisa ser aprimorada, defendendo uma divisão mais equilibrada dos fundos públicos. Segundo o senador, há casos de atrasos no pagamento de salários de deputados, governadores, promotores e juízes, além de juízes afastados recebendo valores elevados de penduricalhos. A crítica de Cleitinho foi de que, ao dividir melhor o “bolo” financeiro, seria possível devolver recursos ao povo de forma mais justa.
Durante sua fala, o senador também evitou confrontar diretamente os principais nomes que lideram as pesquisas eleitorais para a Presidência da República, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa seu primeiro mandato presidencial. Cleitinho destacou a importância do diálogo para tratar da dívida de Minas Gerais com a União, que atualmente soma cerca de R$ 188 bilhões. Ele afirmou que, independentemente de alinhamentos partidários ou ideológicos, pretende estabelecer conversas com quem for eleito para buscar soluções para o problema.
O parlamentar ressaltou que não é possível resolver a dívida estadual através de conflitos ou acusações, mas sim por meio do diálogo com o governo federal. “Se o presidente hoje é o Lula, preciso sentar com ele, dialogar, pedir pela redução da dívida”, declarou. Minas Gerais mantém uma dívida bilionária com a União, e, em dezembro de 2023, o governo federal autorizou a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Essa iniciativa permite que o débito seja quitado ao longo de até 30 anos, mediante um abatimento de 20% do saldo devedor e o restante parcelado com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e juros.
Para cumprir as obrigações, o governo mineiro ofereceu ativos como imóveis e participações em empresas à União, além de ter privatizado a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A venda da estatal foi uma das medidas adotadas durante a gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo), sob a justificativa de que a privatização era necessária para ajudar na amortização da dívida pública estadual.
Além de sua participação em Buritizeiro, Cleitinho também esteve em Frei Gaspar, no Vale do Mucuri, ao lado da prefeita do município, Jackeliny Nascimento (PT). A gestora municipal declarou apoio ao candidato do Republicanos, apesar do partido dela, o PT, ter como candidato ao governo de Minas o ex-ministro Patrus Ananias. Durante o encontro, Cleitinho defendeu a prefeita e declarou que espera que o PT não aplique punições contra Nascimento, reforçando seu compromisso com a democracia. Ele afirmou ainda que, caso seja eleito governador, atenderá a todos os segmentos, independentemente de suas orientações políticas, destacando sua postura de abertura ao diálogo e à inclusão.
A agenda de Cleitinho Azevedo evidencia sua estratégia de campanha de evitar confrontos diretos com os principais nomes em disputa na corrida presidencial, além de reforçar seu posicionamento de diálogo para a resolução de problemas financeiros históricos de Minas Gerais, sobretudo a sua elevada dívida com a União.









