O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado Federal, respondeu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apontou a oposição como responsável pelo adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A manifestação de Marinho ocorreu de forma virtual nas redes sociais, após Lula responsabilizar o grupo oposicionista, especialmente Marinho, que coordena a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência do Senado, pelo bloqueio à tramitação da proposta.
Na sua resposta, o senador criticou duramente o presidente, afirmando que Lula é “mal-intencionado” e desafiando a narrativa de que a oposição estaria dificultando a aprovação da PEC. Marinho afirmou que, ao contrário do que o presidente tenta fazer parecer, a oposição não impede a votação, mas sim aguarda uma avaliação mais aprofundada sobre as consequências da proposta, especialmente no que diz respeito à economia e ao mercado de trabalho.
Marinho também utilizou sua publicação para atacar o que chamou de “golpe da picanha 2”, uma referência às promessas de campanha feitas por Lula durante a eleição presidencial de 2022. Segundo ele, a proposta de redução da jornada sem diminuição de salários representa um “golpe” que tentaria enganar os trabalhadores e a população, alegando que essa mudança poderia trazer sérias repercussões econômicas, como aumento de preços, fechamento de empresas, desemprego e maior informalidade no mercado de trabalho.
O senador foi enfático ao afirmar que Lula tenta convencer o povo de que é possível reduzir a jornada de trabalho sem afetar a remuneração, o que, na avaliação dele, é uma tentativa de aplicar um “golpe da picanha 2”. Para Marinho, essa narrativa não condiz com a realidade e revela uma intenção de manipular a opinião pública.
A resposta de Rogério Marinho veio poucas horas após Lula afirmar que a oposição atuou para impedir a votação da PEC no Senado, alegando que esse episódio revelou quem realmente trabalha pelo país e quem estaria contra as mudanças propostas. Lula também acusou o grupo liderado por Marinho de atuar contra a aprovação da proposta, reforçando a narrativa de que a oposição estaria dificultando avanços importantes para o governo.
A PEC, que foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira, dia 2 de outubro, prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além de estabelecer dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. Apesar do avanço na comissão, a votação em plenário foi adiada, pois a base governista avaliou que não tinha votos suficientes — cerca de 49 — para garantir a aprovação da emenda constitucional naquele momento.
A expectativa do governo é de votar a proposta ainda em setembro, mas, na ausência de acordo, ela deve ficar para o esforço concentrado programado para outubro. A oposição, por sua vez, continua a defender que a proposta precisa ser avaliada com cautela, sobretudo quanto às possíveis repercussões econômicas e sociais.









