Durante entrevista concedida nesta sexta-feira (4) à CNN Brasil, o governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), abordou questões relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Questionado sobre a possibilidade de manter seu apoio ao parlamentar caso ele seja implicado em investigações envolvendo o banco, Zema reforçou sua posição de unidade da direita em um eventual segundo turno contra candidatos de esquerda, destacando a necessidade de uma frente unificada contra o campo adversário.
Ao ser questionado se apoiaria Flávio Bolsonaro mesmo diante de uma possível forte implicação no caso Master, Zema afirmou que, independentemente de alinhamento político, os envolvidos devem ser responsabilizados. Ele declarou que “quem está na direita tem que ser punido também” e que, se houver membros de seu partido envolvidos, estes devem ser punidos, reforçando sua postura de combate à corrupção independentemente do espectro político.
O candidato também aproveitou a ocasião para criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em relação às revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zema afirmou que quem teve proximidade com Vorcaro, considerado por ele um “banqueiro bandido”, precisa se explicar. Segundo o governador, ele, morando em Belo Horizonte — cidade onde Vorcaro tem domicílio e onde nasceu e estudou — nunca teve contato com o ex-banqueiro, e este sequer pediu audiência com ele.
Zema afirmou ser favorável à apuração das denúncias contra Vorcaro, mas alertou para a necessidade de cautela na análise das informações atribuídas ao ex-banqueiro. Ele questionou se Vorcaro, que já enganou diversas pessoas, não estaria tentando enganar novamente ao passar informações que, na sua avaliação, devem ser recebidas com reservas. O governador destacou que, enquanto Vorcaro não teria se aproximado de seu governo, no âmbito federal, teria recebido tratamento diferenciado, incluindo a afirmação de que “lá em Brasília estenderam um tapete vermelho para ele”. Ele criticou ainda a atuação de ministros do STF, afirmando que três deles teriam utilizado jatinhos do banqueiro para viagens pessoais e firmado contratos com Vorcaro, o que, na visão de Zema, demonstra uma relação preocupante entre o tribunal e o ex-banqueiro.
O candidato aproveitou o episódio para defender mudanças na composição do STF, questionando a relação entre autoridades públicas e negócios privados. Ele criticou contratos milionários, como um de R$ 129 milhões envolvendo a esposa de um ministro, alegando que essas relações indicam uma remuneração excessiva e uma vida financeira confortável que não justificaria tais contratos. Zema afirmou ser favorável a indicações de nomes com idades superiores a 60 anos, que tenham uma trajetória de integridade e postura ilibada, criticando nomeações que, na sua visão, não atenderiam a esses critérios.
A postura de Zema reflete sua preocupação com a integridade do sistema político e judiciário, além de reforçar sua estratégia de campanha ao colocar-se como um candidato que busca combater a corrupção e promover mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal.








