Clubes da Premier League estão solicitando uma investigação formal após as declarações feitas pelo ex-árbitro Mike Dean, que revelou práticas consideradas incomuns durante sua carreira na elite do futebol inglês. As manifestações de Dean ocorreram durante uma participação no podcast de Jamie Vardy, ex-atleta e atual atacante do Leicester City, na qual ele admitiu ter criado “desafios pessoais” enquanto apitava partidas na Premier League, com o objetivo de tornar a arbitragem mais “divertida”.
Dean, que encerrou sua carreira como árbitro de campo em 2022, após mais de duas décadas atuando na Premier League, também trabalhou por uma temporada como árbitro de vídeo (VAR), antes de se afastar definitivamente das funções oficiais. Sua narrativa chamou atenção ao revelar que costumava estabelecer pequenos desafios para si mesmo durante os jogos, como tentar passar um período sem usar o apito após o início da partida. Segundo o ex-árbitro, em algumas ocasiões, conseguiu ficar entre 20 a 25 minutos sem apitar uma única vez, o que, na visão dele, era uma espécie de brincadeira entre colegas na época.
Além disso, Dean relatou que também criava desafios relacionados à sua movimentação pelo campo. Ele contou que ficava no círculo central e tentava permanecer ali por um tempo determinado antes de precisar sair, tendo conseguido ficar cerca de 15 minutos em uma partida. Essas declarações, feitas de forma descontraída, geraram reações de surpresa e questionamentos no meio da arbitragem.
Ex-árbitros de destaque, como Mark Halsey, que atuou por 14 temporadas na Premier League, criticaram publicamente as afirmações de Dean, classificando-as como absurdas e afirmando que jamais adotariam esse tipo de comportamento durante uma partida oficial. Halsey destacou que as declarações colocam em xeque a credibilidade e a imagem dos árbitros profissionais. Graham Scott, outro ex-árbitro da elite inglesa, também manifestou ceticismo, descrevendo os relatos de Dean como uma tentativa de gerar atenção, ou seja, uma estratégia de “clickbait”.
Diante do episódio, clubes que tiveram problemas com decisões de Mike Dean resolveram revisar imagens de partidas antigas na tentativa de verificar se há alguma evidência que possa corroborar as histórias divulgadas pelo ex-árbitro. A organização responsável pela arbitragem na Inglaterra, a Pro Ref, também se manifestou de forma cautelosa, afirmando que até o momento não há provas concretas que confirmem os episódios descritos por Dean. A entidade e pessoas próximas ao setor avaliam que as histórias podem ter sido exageradas ou até mesmo uma tentativa de Dean de provocar repercussão pública.
A repercussão do caso ocorre em um momento em que a Federação de Futebol da Inglaterra, liderada por Howard Webb, busca aumentar a transparência e a fiscalização sobre o trabalho dos árbitros, além de reforçar a credibilidade das decisões tomadas em campo. Dean, que comandou 553 jogos na Premier League entre 2000 e 2022, é conhecido pelo seu estilo marcante e por episódios controversos ao longo de sua carreira. Após a aposentadoria, ele passou a atuar como comentarista em programas esportivos, onde suas opiniões frequentemente geram debates.
Em 2023, Dean admitiu, por exemplo, que não recomendou a intervenção do VAR em uma jogada na qual Cristian Romero puxou o cabelo de Marc Cucurella antes de um gol do Tottenham contra o Chelsea, episódio que também gerou questionamentos sobre sua postura profissional. O episódio recente, portanto, reforça discussões sobre a credibilidade e os limites da arbitragem na Premier League, além de levantar dúvidas sobre a integridade do trabalho de alguns profissionais na história do futebol inglês.






