O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, declarou neste sábado (5), em entrevista à CNN, que “se arrependimento matasse não estaria aqui”, ao comentar sua decisão de apoiar a indicação do ministro Alexandre de Moraes para integrar a Corte Suprema. A afirmação ocorre em meio à divulgação de trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do extinto Banco Master, que vêm sendo analisadas pela Polícia Federal (PF). A divulgação dessas mensagens, cujo sigilo foi derrubado pelo ministro do STF André Mendonça, gerou repercussões e críticas, especialmente por parte de Moraes, que acusou Mendonça de agir fora do regimento jurídico ao liberar o conteúdo.
Mello relembrou o momento da indicação de Moraes ao STF, destacando que a escolha ocorreu após a morte do ministro Teori Zavascki, vítima de um acidente aéreo em janeiro de 2017, que deixou a vaga na Corte. Segundo ele, na ocasião, o então presidente Michel Temer indicou Moraes, um professor universitário, membro do Ministério Público, ex-secretário de segurança do prefeito Gilberto Kassab e ex-secretário de governo do governador Geraldo Alckmin, para preencher a vaga. O ex-ministro do STF afirmou que, na época, considerou a nomeação adequada, mas que hoje, diante dos fatos que vieram à tona, sente-se compelido a expressar seu arrependimento.
Marco Aurélio Mello criticou duramente o desempenho do ministro Alexandre de Moraes na Corte, afirmando que ele “vem errando a mão” e que essa conduta é prejudicial ao funcionamento do STF. Segundo ele, as ações recentes de Moraes têm contribuído para uma crise institucional no Supremo, alimentando especulações sobre seu futuro na Corte. A crise, na visão do ex-ministro, reflete um momento delicado na Justiça brasileira, marcado por tensões internas e questionamentos sobre a conduta de seus integrantes.
A controvérsia envolvendo as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, que fazem parte de um relatório da Polícia Federal, ganhou destaque após Mendonça liberar o conteúdo sob sigilo. A atitude foi vista por alguns como uma tentativa de promover maior transparência e de desafiar o próprio Ministério Público e os procedimentos internos do STF. Moraes, por sua vez, acusou Mendonça de agir de forma irregular, o que gerou uma divisão de opiniões entre juristas e integrantes do Supremo.
Em defesa da postura de Mendonça, Marco Aurélio Mello manifestou-se favoravelmente, avaliando que o momento atual do STF representa uma “inversão de valores”. Para ele, a condução do ministro André Mendonça ao encaminhar o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR) foi uma ação adequada e necessária diante do contexto. Mello reforçou que, na sua visão, a atuação de Mendonça foi correta, destacando a importância de procedimentos transparentes e legais na apuração de fatos relevantes para o entendimento do funcionamento do Supremo e de suas ações recentes.








