O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ingressou neste sábado (5) com uma solicitação junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para que tome providências relativas ao vazamento de seus dados bancários e fiscais, que deveriam permanecer sob sigilo. O episódio ocorreu no contexto do registro de candidatura do ex-procurador Deltan Dallagnol ao Senado, pelo partido Novo, e envolve a divulgação de informações confidenciais que foram expostas de forma indevida no sistema do TRE-PR.
Segundo informações disponíveis, os documentos vazados foram extraídos de um processo que tramita contra Deltan no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Esses documentos, que continham dados bancários e fiscais de Zanin, foram incluídos na íntegra pelos advogados do ex-procurador no sistema do TRE-PR, com o objetivo de rebater uma tentativa de impugnação de sua candidatura. O problema é que, ao fazerem isso, os advogados não solicitaram o sigilo dessas informações, que deveriam ter sido protegidas por lei.
Em ofício enviado ao tribunal, Zanin destacou que o portal Metrópoles publicou uma reportagem noticiando que Deltan Dallagnol anexou ao seu pedido de registro de candidatura documentos que continham informações fiscais e bancárias protegidas por sigilo legal e processual. O ministro solicitou ao TRE-PR que adotasse medidas para cessar a divulgação dessas informações e que fossem tomadas as providências cabíveis para responsabilizar os envolvidos, inclusive no âmbito criminal, diante da violação de sigilo.
Deltan Dallagnol, por sua vez, defende que os documentos em questão tratam-se de uma reclamação disciplinar proposta por Cristiano Zanin contra ele e outros procuradores. O ex-procurador explicou que o processo, que possui milhares de páginas, foi instaurado na época em que Zanin atuava como advogado, e que os documentos fiscais e bancários estavam incluídos como parte dessa reclamação disciplinar. A equipe de defesa de Dallagnol afirmou que as cópias dos procedimentos foram apresentadas de forma integral pelos advogados para garantir transparência e evitar omissões relevantes, incluindo todos os dados considerados pertinentes ao processo.
Após o acionamento do STF, o TRE-PR determinou a imediata aplicação de sigilo aos documentos do processo, que totalizam mais de cinco mil páginas. Além disso, o tribunal encaminhou o caso ao Ministério Público (MP) para que sejam tomadas as providências necessárias relativas ao vazamento de informações sigilosas de terceiros. O ministro Cristiano Zanin também solicitou que Deltan Dallagnol seja intimado para se manifestar no prazo de 24 horas, a fim de esclarecer sua posição sobre o ocorrido.
O episódio evidencia a gravidade do vazamento de dados sigilosos e reforça a necessidade de rigor na proteção de informações confidenciais no âmbito de processos judiciais e administrativos, especialmente aqueles relacionados a candidaturas políticas e investigações de alta relevância. O caso também coloca em evidência a importância de procedimentos mais seguros na tramitação de processos que envolvem dados sensíveis de indivíduos, bem como a responsabilidade de advogados e partes na preservação do sigilo legal.








